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Autoridades do governo francês usam Telegram para se comunicar

Marie Mawad, Helene Fouquet e Ania Nussbaum

(Bloomberg) -- O aplicativo de mensagens criptografadas usado no iPhone do presidente francês Emmanuel Macron é o mesmo que o chamado Estado Islâmico antigamente adorava.

O Telegram Messenger, software de conversas que é financiado pelo empresário russo Pavel Durov e atrai consumidores com recursos como mensagens que se autodestroem, também é o aplicativo preferido das autoridades francesas, incluindo o presidente, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.

Macron e seu círculo de assessores começaram a usar o Telegram em 2016, desde os primórdios de sua campanha presidencial, e continuaram a usá-lo para as conversas do dia a dia sobre planejamento de trabalho e assuntos práticos, disseram as pessoas, que pediram anonimato ao comentar operações privadas.

Junto com o WhatsApp, do Facebook, em alguns casos, funcionários importantes entrevistados pela Bloomberg News disseram que a facilidade de uso, o costume e a ausência de custo extra são razões para usar o Telegram. Eles também reiteraram que são cautelosos em relação ao tipo de dados que compartilham no aplicativo: apenas informações que, segundo eles, não são sensíveis, confidenciais, nem representam um risco à segurança. Nestes casos, as conversas passariam por hardware de alta segurança, como telefones criptografados elaborados especificamente para o governo, disse um funcionário francês que pediu anonimato devido à política do governo.

Um funcionário do governo disse que os serviços de mensagens nunca são utilizados para trocar informações estratégicas ou confidenciais, são usados apenas com informações técnicas e de logística.

No entanto, mesmo sendo usado para discutir assuntos aparentemente triviais, há dúvidas sobre se o software de mensagens instantâneas feito para o grande público é o mais apropriado para as pessoas que dirigem um país. Os EUA discutiram esse assunto no ano passado, porque Hillary Clinton usou um servidor de e-mail privado quando era secretária de Estado, e a notícia de que conversas telefônicas da chanceler alemã Angela Merkel haviam sido grampeadas provocaram uma onda de produtos e serviços elaborados para aumentar a privacidade das telecomunicações.

O Telegram também ocupa um lugar polêmico no panteão dos aplicativos de mensagens, que inclui WhatsApp, iMessenger e Signal. Em outubro, o Telegram recebeu uma multa de 800.000 rublos (US$ 14.000) por não fornecer ao Serviço de Segurança Federal da Rússia os dados necessários para decodificar mensagens, informou a Interfax citando uma decisão judicial.

O Estado Islâmico também usou o serviço criptografado do Telegram Messenger para se conectar com adeptos, o que levou o aplicativo a remover "canais" de vários usuários que, segundo se queixaram membros, fomentavam o grupo terrorista.

"Existe uma mediação natural entre custo, risco e facilidade de uso, dependendo do tipo de informação que está sendo comunicada e do nível de ameaças potenciais", disse Hervé Debar, professor da Telecom SudParis e chefe do departamento de redes e telecomunicações da universidade. "No caso da alta esfera do governo, pode ser difícil para os envolvidos distinguir dados sensíveis de informações que não precisam de proteção extra."

Telegram e Facebook não responderam a um pedido de comentário.

"Os políticos deveriam usar ferramentas certificadas para as comunicações de trabalho ? ferramentas que tenham sido criadas por especialistas em segurança, não por empresas como o Facebook, cujo negócio depende de publicidade e coleta de dados", disse Laurent Delaporte, CEO da assessoria de segurança cibernética Akerva.

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