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Série de leilões de energia gerarão investimento de US$ 8,2 bi

Vanessa Dezem

21/12/2017 15h09

(Bloomberg) -- O Brasil espera investimento de cerca de R$ 27 bilhões (US$ 8,2 bilhões) em infraestrutura energética nos próximos seis anos como resultado de uma série de leilões realizados neste fim de ano para ampliar a capacidade elétrica do País.

Empresas de energia conseguiram contratos para construir cerca de 5.000 quilômetros de novas linhas de transmissão e mais de 4,5 gigawatts em usinas de energia em três leilões realizados na última semana.

Os eventos geraram mínimas históricas para os preços da energia e um deles se arrastou por cinco horas devido à forte concorrência. Os resultados dos leilões refletem a perspectiva de crescente demanda por energia e a maior confiança do investidor no momento em que a economia brasileira começa a se recuperar da pior recessão em uma geração, segundo Luiz Augusto Barroso, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

"O Brasil voltou a ser um polo de investimentos interessante para investimentos de grande escala", disse.

O Brasil encerrará 2017 com níveis de consumo de energia semelhantes aos de 2014, devido principalmente ao declínio da produção industrial. A produção deverá aumentar no ano que vem, considerando a projeção de expansão de mais de 2 por cento do produto interno bruto do Brasil, e de quase 3 por cento em 2021. Como resultado, o consumo de eletricidade deverá crescer 3,7 por cento de 2017 a 2021, segundo estimativas da EPE.

"O setor elétrico brasileiro se transformou em um oásis para os investidores", disse Reive dos Santos, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), reguladora do setor.

Linhas de energia

As empresas de energia internacionais dominaram o leilão de linhas de energia na sexta-feira. Após longas filas para entrar na bolsa B3, em São Paulo, onde ocorreu o evento, a Engie, da França, a Sterlite Technologies, da Índia, e a Neoenergia -- que tem a Iberdrola, da Espanha, como sócia majoritária -- foram algumas das companhias que ganharam direitos de construir linhas de transmissão a preços em média 40 por cento inferiores aos valores máximos estabelecidos pelos reguladores.

O leilão impulsionará R$ 8,75 bilhões em investimentos para a construção de linhas de energia que atravessarão 10 estados, principalmente no Nordeste.

"O resultado dos leilões mostra confiança do investidor", disse o presidente do Brasil, Michel Temer, no Twitter. "Vão ser gerados mais de 17.000 empregos diretos. E os consumidores vão ser beneficiados com uma economia de bilhões de reais ao longo dos 30 anos de validade da outorga."

Solar e eólica

As energias solar e eólica se destacaram nos leilões de segunda e quarta-feira para novas usinas de energia. No total, 574 megawatts em novos parques solares e 1.387 megawatts em novos parques eólicos receberam contratos de venda de eletricidade. O governo busca ampliar a capacidade instalada de energia limpa em 19 gigawatts até 2026 para diversificar a matriz elétrica.

Foi a primeira vez em dois anos em que desenvolvedores solares e eólicos conseguiram contratos em leilões. O governo cancelou dois leilões em 2016 porque a recessão limitava a demanda por eletricidade. A decisão freou o incipiente setor solar e sufocou a cadeia de abastecimento do setor eólico.

Com a demanda reprimida, os eventos recentes foram competitivos, derrubando os preços das energias solar e eólica. A energia solar foi vendida a um preço médio de R$ 145,68 reais o megawatt-hora na segunda-feira e as empresas de energia eólica ganharam contratos a uma média de R$ 98,62 por megawatt-hora na quarta-feira, ambos os valores em mínimas históricas.

"O Brasil entrou no radar dos países que estão comprando energias renováveis a menos de US$ 40 o megawatt-hora", disse o presidente da EPE, Luiz Barroso. "Os preços que vimos hoje estão em linha com os observados no resto do mundo."

"A tecnologia eólica está melhorando -- há novas máquinas com melhores fatores de capacidade",disse Marcos Meireles, fundador da empresa de energia brasileira Rio Energy. "O mercado eólico brasileiro está mais maduro e o Brasil tem um cenário macroeconômico melhor. Todos esses fatores derrubam os preços da energia eólica."

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