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Boom de exportações do Vietnã contraria ameaças de Trump

Nguyen Dieu Tu Uyen

(Bloomberg) -- De celulares a móveis, o boom das exportações do Vietnã não mostra sinais de perder força, contrariando a perspectiva sombria do início do ano, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, persistia com suas ameaças comerciais.

A fabricante de móveis Xuan Hoa Viet Nam planeja um aumento de 20 por cento nas exportações no próximo ano e investirá US$ 3 milhões em equipamentos para expandir a produção, disse o diretor geral Le Duy Anh em entrevista. A empresa, com sede em Hanói, faz mesas de escritório e armários para clientes como Ikea.

"Estou bastante otimista em relação a nossas vendas no próximo ano", disse Anh. "Temos clientes novos na Europa e nossos clientes regulares também fizeram mais pedidos do que no ano passado."

Quando Trump tirou os EUA da Parceria Transpacífico em janeiro, a decisão foi vista como um ataque ao Vietnã, que exporta cerca de um quinto de seus bens para a maior economia do mundo. No entanto, uma recuperação do comércio global e a força de trabalho jovem e de baixo custo do Vietnã foram ímãs para investidores internacionais, como a Nestlé, que abriram fábricas no país neste ano. Isso está ajudando a apoiar a economia, que cresceu 6,81 por cento em 2017, um dos avanços mais rápidos do mundo.

Amadurecimento

"Vimos nesta década o amadurecimento do Vietnã, que se transformou rapidamente em uma potência fabril", disse Eugenia Victorino, economista do Australia & New Zealand Banking Group em Cingapura. "A diversificação de produtos e mercados proporciona ventos favoráveis para as exportações. Estamos muito otimistas com o crescimento, embora permaneçamos cautelosos com questões estruturais de dívidas incobráveis."

O Produto Interno Bruto aumentou 7,65 por cento no quarto trimestre em relação ao ano anterior, revelaram dados nesta quarta-feira. As exportações aumentaram 21 por cento em 2017, para o recorde de US$ 214 bilhões, e os celulares e as peças compõem o maior segmento, de cerca de um quinto do total.

A força da economia dos EUA é um bom presságio para o Vietnã, que foi o principal exportador de bens no ano passado entre os países do Sudeste Asiático. As vendas para os EUA aumentaram 8 por cento neste ano.

Nguyen Sy Hoe, vice-diretor geral da Phu Tai, que fabrica móveis para lojas Wal-Mart Stores nos EUA, prevê um aumento de 30 por cento nas exportações no próximo ano. Phu Tai, com sede em uma província central do Vietnã, depende dos EUA para 40 por cento de suas vendas.

As remessas do Vietnã ao exterior representaram 90 por cento do PIB em 2015, em comparação com 64 por cento uma década atrás, de acordo com o Banco Mundial.

O governo do Vietnã conta com essas remessas para aumentar o crescimento até 6,7 por cento em 2018, a mesma meta deste ano.

"Precisamos estar atentos a alguns riscos potenciais para o próximo ano", disse o economista Vu Minh Khuong, professor associado da Universidade Nacional de Cingapura, que também é membro da recém-formada equipe de assessoria econômica do primeiro-ministro vietnamita Nguyen Xuan Phuc. "Fatores negativos podem vir dos EUA e de outros mercados internacionais. Mas, por enquanto, a economia é resistente, com bons indicadores."

--Com a colaboração de John Boudreau

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