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Faltam pacientes para testes de medicamentos hepáticos

Jared S. Hopkins

27/12/2017 16h35

(Bloomberg) -- Parece o mapa de uma corrida do ouro na indústria farmacêutica: uma doença causada por taxas de obesidade cada vez mais altas, a chance de salvar milhões de pacientes de lesões de fígado caras e um mercado que, segundo projeções, será de US$ 40 bilhões até 2025.

Esse enorme potencial comercial colocou a Intercept Pharmaceuticals, a Genfit e mais de uma dezena de empresas farmacêuticas em uma corrida para desenvolver tratamentos para a doença do fígado conhecida como esteato-hepatite não-alcoólica (NASH, na sigla em inglês).

A única coisa que está faltando? Pacientes.

As empresas farmacêuticas estão tendo dificuldades para conseguir um número suficiente de pessoas para os testes clínicos necessários para aprovar os novos medicamentos, de acordo com executivos e médicos que supervisionam os estudos. A Intercept conseguiu realizar um teste fundamental neste ano só depois de fazer alterações que permitiram reduzir quase pela metade, para 750, o número necessário de participantes. Na Genfit, um estudo de fase terminal foi adiado por meses e a empresa francesa está trabalhando com centros médicos e médicos capazes de persuadir os pacientes a participarem.

"Sem nenhuma dúvida ainda há dificuldades para achar pacientes para os testes de NASH", disse Robert Brown, hepatologista da Weill Cornell Medicine e do hospital New York-Presbyterian e pesquisador em estudos para a Intercept e a Gilead Sciences. As empresas farmacêuticas que estão testando mais de 40 tratamentos disputam um grupo relativamente pequeno de cerca de 12.000 pessoas, disse ele.

Biópsia

Isso não parece lógico tratando-se de uma doença que afeta cerca de 3 por cento a 12 por cento dos americanos, uma estatística tão alarmante que alguns estudos projetaram que poderia se tornar a principal causa de transplantes de fígado até 2020.

No entanto, esta doença progressiva é pouco conhecida porque é praticamente assintomática durante anos. Muitos possíveis pacientes -- mais comumente pessoas com excesso de peso ou diabetes -- moram em áreas rurais com acesso limitado a testes clínicos. E para se inscrever nos testes de NASH em etapas avançadas é preciso fazer biópsias de fígado dolorosas e invasivas.

Pouca conscientização

A conscientização sobre a NASH ainda é muito baixa entre os médicos de cabeceira, que não conhecem os sintomas. O Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA nem sequer mencionou a doença em um recente relatório importante sobre diabetes nos EUA.

"Vá à Quinta Avenida e pergunte a alguém o que é NASH", disse Stephen Harrison, hepatologista e consultor em San Antonio, Texas, que supervisiona os testes para muitas empresas, entre elas Gilead, Intercept e Genfit. "Os únicos que sabem são provavelmente as pessoas de Wall Street que estão investindo nisso."

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