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Minério de ferro agradece campanha ambiental da China

Jasmine Ng e Sarah Chen

(Bloomberg) -- Algo mudou na China neste inverno. O empresário Fei Weimin está descobrindo que o céu, normalmente carregado de poluição, ganhou um agradável tom azul. A mudança, impulsionada pelos limites impostos pelo Estado às siderúrgicas e às plantas industriais para combater a poluição, tem grande importância para a indústria global do minério de ferro.

"Sinto o ar muito melhor", disse Fei, que trabalha em Pequim há mais de uma década, para quem respirar o ar sujo equivale, na maior parte do tempo, a respirar no escapamento de um carro. "Antigamente, quando a situação era realmente ruim, a visibilidade dentro do próprio apartamento era reduzida e dava, literalmente, para sentir o gosto da poluição."

O minério de ferro termina um ano tumultuado e de grandes oscilações em meio à repressão sem precedentes da China à nociva poluição atmosférica com a redução da oferta de aço e a limitação de outras atividades. Essa repressão se transformou em um dos fatores mais importantes para o mercado global. A campanha chinesa afetou os preços, derrubou as ações de mineradoras como BHP Billiton, Rio Tinto e Vale, fez disparar a diferença entre os minérios de alta e de baixa qualidade. Além disso, a nova política que fez Fei ver o céu azul pode ser mantida nos próximos anos.

"A redução da oferta de aço para limpar o meio ambiente se tornará a prática padrão", disse Zhao Chaoyue, analista da China Merchants Futures. "As autoridades podem ordenar a suspensão de certas atividades siderúrgicas durante eventos importantes ou no inverno para reduzir a poluição. Este será o novo normal."

Os preços deverão fechar o ano com uma queda modesta que mascara 12 meses de negociação volátil. O último valor à vista do minério com 62 por cento de teor ferroso foi de US$ 72,62 a tonelada seca, segundo a Metal Bulletin, depois de oscilar entre quase US$ 95 e pouco acima de US$ 50. A diferença entre o minério de qualidade superior, com 65 por cento de teor ferroso, e o material de menor qualidade, que era de cerca de US$ 10 no início de 2016, agora está mais perto de US$ 50.

Maior importadora de minério de ferro, a China recebe mais de 1 bilhão de toneladas por ano para alimentar sua enorme indústria siderúrgica. A maioria dos carregamentos sai de minas do Brasil e da Austrália operadas pela Vale, BHP, Rio Tinto e Fortescue Metals. O zeloso impulso antipoluição surge após um esforço relacionado para limitar a capacidade excedente, por meio do qual foram fechadas algumas usinas ilegais.

É improvável que os limites impostos neste ano sejam pontuais. As autoridades chinesas afirmaram que estão adotando uma iniciativa de três anos para ganhar "batalhas críticas", inclusive contra a poluição. Em separado, Yang Weimin, representante do comitê do Partido Comunista que supervisiona a política econômica, disse que o objetivo de dobrar o tamanho da economia chinesa até 2020 ainda pode ser atingido, mesmo que o ritmo de expansão diminua, o que sinaliza a maior disposição para enfrentar a poluição e a dívida à custa do crescimento.

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