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Trump tenta controlar influência da China na América Latina

Randall Woods e Andrew Mayeda

(Bloomberg) -- O governo de Trump está reagindo aos esforços da China para aumentar os laços econômicos com a América Latina, à medida que a rivalidade entre as duas maiores economias do mundo se intensifica.

O Departamento do Tesouro dos EUA, no mês passado, tomou medidas para controlar a crescente influência do país asiático na região, quando questionou as propostas de Pequim ao credor multilateral da América Latina. Os EUA são o maior acionista do Banco Interamericano de Desenvolvimento, com 30 por cento, e a China tem uma participação minúscula no banco, de 0,004 por cento.

Em uma carta de 19 de dezembro obtida pela Bloomberg, o subsecretário dos EUA para Assuntos Internacionais, David Malpass, perguntou ao presidente do BID, Luis Alberto Moreno, por que ele escolheu a China como sede da reunião do 60º aniversário do banco no ano que vem. "Tenho sérias reservas em relação ao processo do banco que levou a essa decisão inicial e acho que a reunião de 2019 não poderá ser tão bem-sucedida em Pequim quanto se fosse realizada na região", escreveu Malpass.

O BID está preparando uma resposta por escrito à carta de Malpass, disse Paul Constance, assessor de imprensa do banco. Todos os países acionistas do BID, inclusive os EUA, concordaram no ano passado em realizar a reunião de 2019 na China, disse ele.

Influência e preocupações

A carta de Malpass chega em meio a um impulso da China para aumentar sua influência na América Latina onde, durante governos anteriores dos EUA, o país se tornou o principal parceiro comercial de exportadores de commodities, como o Brasil, e um credor para países com necessidade de dinheiro, como a Venezuela. O Partido Comunista, que governa a China, decidiu em seu Congresso Nacional, realizado no fim do ano passado, fortalecer os laços comerciais e estratégicos com a região como parte de sua campanha para se tornar um líder econômico global.

As relações econômicas dos EUA com a China se tornaram cada vez mais tensas desde que Donald Trump tomou posse. Em dezembro, a Casa Branca agrupou a China e a Rússia como forças que pretendem minar a segurança e a prosperidade dos EUA e o presidente já ameaçou diversas vezes impor tarifas aos bens chineses.

Malpass, em discurso no fim do ano passado, acusou a China de retroceder em reformas orientadas ao mercado e convocou outras grandes economias a formarem uma frente unida com os EUA para pressionar a potência asiática. Ele também criticou as relações de Pequim com os bancos de desenvolvimento, questionando o Banco Mundial por emprestar dinheiro à China porque o país já tem acesso aos mercados financeiros globais.

Na carta ao BID, Malpass reiterou sua preocupação de que "a liberalização econômica da China parece ter desacelerado ou retrocedido, e o papel do Estado, aumentado."

--Com a colaboração de Andrea Navarro

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