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Risco político não preocupa investidores de mercados emergentes

Ben Bartenstein e Justin Villamil

09/01/2018 13h36

(Bloomberg) -- As crises políticas não são uma novidade para os mercados emergentes. O ano passado não foi uma exceção, com uma campanha de impeachment na África do Sul, um escândalo de corrupção no Brasil e a rixa diplomática no Catar.

O que todos esses incidentes tiveram em comum é a resiliência demonstrada pelos mercados posteriormente e a oportunidade de compra que as calamidades políticas apresentaram a investidores astutos. Quase todos os conflitos provocaram uma forte queda que foi revertida, pelo menos parcialmente, em questão de dias, semanas ou meses.

É claro que nem todas as crises desaparecem rapidamente e, no caso daquelas que desaparecem, não é fácil projetar quando a recuperação começará. Os casos abaixo foram alguns dos mais notáveis de 2017 e podem servir de lição para o ano que vem:

Brasil

Denúncias sobre suposto esquema de subornos envolvendo o presidente Michel Temer fizeram com que as ações brasileiras caíssem muito em maio. Mas se algum investidor tiver comprado muitas delas no dia seguinte e conservado essas ações, seria possível obter um grande lucro, porque o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, disparou e bateu um recorde. Temer não tem se saído tão bem como as ações do país, com um índice de aprovação de 6% no mês passado.

Peru

O sol peruano atingiu a cotação mais baixa em 10 meses em dezembro, quando legisladores da oposição fizeram campanha pelo impeachment do presidente Pedro Pablo Kuczynski em meio a revelações de seus laços com empresas que receberam dinheiro da depreciada construtora brasileira Odebrecht. Essa iniciativa acabou fracassando e agora a moeda ronda a cotação mais elevada em dois anos.

Catar

Em junho, uma briga entre o Catar e uma aliança de quatro países encabeçada pela Arábia Saudita chocou os mercados. As notas do país com vencimento em 2026 caíram para um piso histórico no mês seguinte, quando as potências regionais decidiram isolar o Catar por causa de seus laços com o Irã. Mas, em setembro, a maioria desses prejuízos já tinha sido recuperada. Os ativos do país voltaram a ser bombardeados no começo de novembro, devido ao aprofundamento do conflito entre a Arábia Saudita e o Irã, mas já se recuperaram desse choque.

África do Sul

Depois que o partido sul-africano Aliança Democrática apresentou acusações penais contra o presidente Jacob Zuma e membros da família Gupta, as ações caíram mais de 6% nas semanas seguintes, mas se recuperaram porque Zuma conseguiu se manter no poder. Em dezembro, um candidato apoiado pelo conturbado presidente perdeu a eleição da liderança para Cyril Ramaphosa, o que levou os investidores a acumular ações sul-africanas. O índice FTSE/JSE Africa All Share chegou a subir 1,6% após a eleição.

Venezuela

O pedido de reestruturação de dívida feito pelo presidente Nicolás Maduro no começo de novembro provocou uma forte queda dos títulos venezuelanos, porque os investidores temiam que o governo deixaria de pagar a dívida e que as sanções dos EUA complicariam as negociações. Mas, poucos dias depois, as notas da Petróleos de Venezuela com vencimento em 2020 recuperaram quase completamente o valor perdido.

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