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Companhias adiam divulgação de diferença salarial no Reino Unido

David Hellier e Laura Colby

(Bloomberg) -- Faltando menos de três meses para o fim do prazo para divulgar a diferença salarial entre homens e mulheres, as empresas britânicas estão adiando a publicação dos dados, relutando em ser a primeira a revelar informações potencialmente embaraçosas.

Menos de 600 das 9.000 empresas que devem apresentar o relatório já o fizeram, e muitas tentam evitar essa investigação, disse Rupert Younger, diretor do Centro de Reputação Corporativa da Universidade de Oxford. Um receio é que, embora a remuneração para cargos iguais possa ser comparável, os números de salários agregados mostrem grandes diferenças porque os homens costumam superar em número as mulheres nos cargos seniores.

"Do ponto de vista das comunicações, será muito tentador para as empresas esperar até o último mês para se perderem na multidão", diz Younger.

A lei, aprovada em 2010, exige que empresas com mais de 250 funcionários no Reino Unido informem sua diferença salarial média por hora, o diferencial de remuneração médio e diferenças no pagamento de bônus. Algumas empresas de grande porte, como Accenture, easyJet e Virgin Money, já divulgaram seus dados - embora eles mostrem diferenças consideráveis entre os salários de homens e mulheres.

Imagem positiva

O prazo para apresentar os relatórios termina em 5 de abril, mas milhares de empresas ainda não se manifestaram. E cerca de 10 por cento das 300 empresas de médio porte consultadas pela firma de contabilidade RSM afirmaram que provavelmente não conseguirão cumprir o prazo. Algumas estão adiando porque querem verificar os resultados, mas outras estão tentando encontrar um jeito de apresentar os números de modo favorável, já que o site do governo para publicar os dados permite fornecer uma explicação por escrito de seus números, disse Kerrie Constable, consultora de recursos humanos da RSM.

"A maioria dos empregadores quer cumprir, mas eles querem pintar uma imagem positiva e reflexiva", disse Constable. "As empresas sentem que é necessário explicar a diferença."

A lei só exige que as empresas divulguem as diferenças salariais - não que as fecham -, mas cresce a preocupação com o modo como os dados serão interpretados, disse Brian Levine, sócio da Mercer Consulting, que ajuda as empresas a compilar dados para cumprir a lei. Uma preocupação para as empresas globais é que seus funcionários fora do Reino Unido queiram saber a diferença em seus próprios países, disse Levine.

Para se prepararem, muitas empresas estão compilando dados globais e, "com o objetivo de assegurar avanços contra diferenças estatisticamente significativas", algumas companhias nos EUA estão calculando os diferenciais entre distintos grupos étnicos, disse Levine.

Problema

Segundo Levine, a diferença salarial entre mulheres e homens com origens e empregos similares é pequena em porcentagem. No entanto, os dados publicados até agora em cumprimento com a lei britânica - que também exige que as empresas divulguem estatísticas sobre a porcentagem de homens e mulheres em cada um dos quatro quartis de remuneração - mostram que o número de mulheres diminui acentuadamente à medida que o salário aumenta.

Isso ressalta a contínua ausência de mulheres em empregos com maior remuneração, de acordo com Jeremy Miles, membro do Partido Trabalhista no parlamento regional galês. "A fraca representação das mulheres nos níveis seniores não é a explicação, é o problema", disse Miles em um tweet no dia 6 de janeiro.

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