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Problemas indicam que óleo de palma terá ano difícil

Anuradha Raghu

29/01/2018 13h23

(Bloomberg) -- Os traders de óleo de palma estão se preparando para mais um ano difícil.

O óleo comestível utilizado em diversos tipos de produtos, do chocolate ao xampu, caiu 19 por cento em 2017 porque os estoques cresceram e a Índia elevou os impostos de importação, reduzindo as compras do maior comprador do mundo. Os estoques elevados e a fraca demanda continuam sendo uma preocupação e ameaçam provocar mais declínios nos preços neste ano. O mercado também está observando se a eliminação dos impostos de exportação da Malásia e um aumento nos preços do petróleo impulsionarão os futuros.

A seguir, alguns dos principais fatores que devem orientar o mercado em 2018:

Aumento da oferta

A produção de óleo de palma deve atingir um recorde em 2018, já que os efeitos do El Niño de 2015-16, que reduziram o rendimento, finalmente estão se dissipando. Os dendezeiros são plantas que adoram água e o aumento das chuvas causado pelo La Niña atual, fraco, e uma área de cultivo maior poderiam aumentar as ofertas e os estoques, de acordo com Ling Ah Hong, diretor da Ganling. A perspectiva de preços é particularmente pessimista no segundo semestre, disse ele.

A oferta global aumentará entre 5 milhões e 6 milhões de toneladas neste ano, de acordo com o presidente da LMC International, James Fry, que estima a produção indonésia em 40 milhões de toneladas e a produção malaia em mais de 21 milhões de toneladas. Thomas Mielke, diretor executivo da Oil World, com sede em Hamburgo, diz que a produção mundial de óleo de palma aumentará cerca de 2,6 milhões de toneladas, para 70,1 milhões de toneladas.

Pressão da UE

Os legisladores da União Europeia apoiaram neste mês um plano que exige a restrição do uso de óleo de palma em combustíveis renováveis a partir de 2021 devido à preocupação com seu impacto ambiental. A Malásia chamou a medida de discriminatória e a Associação Indonésia de Óleo de Palma afirmou que a UE está protegendo seus próprios interesses prejudicando os rivais. Os dois países respondem, em conjunto, por 85 por cento da produção mundial.

As exportações da Malásia para a UE caíram 28 por cento nos primeiros 25 dias de janeiro, em comparação com o mês anterior, de acordo com dados da SGS. O Conselho de Óleo de Palma da Malásia alertou que as remessas para o bloco poderão diminuir mais neste ano. A Malásia agora busca uma "solução abrangente" por meio das negociações do acordo de livre comércio com a UE, que o país pretende relançar neste ano.

Demanda de exportação

Outros mercados de exportação fundamentais também estão mostrando uma demanda fraca.

As compras realizadas pela China antes do Ano-Novo Lunar foram decepcionantes devido às elevadas reservas de óleo comestível do país. As remessas da Malásia para a China caíram 33 por cento nos primeiros 25 dias do ano, de acordo com dados da SGS. A magnitude do crescimento da demanda durante o resto deste ano depende dos preços, prevê o Rabobank International.

O mercado também está avaliando a demanda na Índia depois que o país elevou os impostos de importação em novembro. As importações caíram pela primeira vez em 10 meses em novembro em relação ao ano anterior e manteve-se estável em dezembro.

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