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Google temia perder vantagem em direção autônoma, mostra e-mail

Mark Bergen

(Bloomberg) -- Há três anos, o chefe do projeto de carros autônomos do Google enviou e-mail aos cofundadores Larry Page e Sergey Brin fazendo um alerta.

"Nos últimos seis meses, deixamos de jogar para ganhar e passamos a jogar para diminuir a desvantagem", escreveu Chris Urmson. A fonte de sua preocupação era o Uber.

A missiva de Urmson, que deixou o Google em 2016, foi divulgada na segunda-feira, no início de um dramático julgamento por roubo de segredo comercial entre a Uber Technologies e a unidade automotiva do Google, atualmente uma divisão da Alphabet chamada Waymo. Esse e-mail e outra correspondência interna de 2015 e 2016 revelam uma profunda preocupação sobre a perda da liderança do Google no segmento de carros autônomos.

O Google deu início à era moderna dos carros sem motoristas quando criou o projeto de carros autônomos Chauffeur, em 2009, anos antes de outras empresas. Apesar do início precoce, as rivais começaram a diminuir a diferença, especialmente a Uber.

Em seu e-mail de fevereiro de 2015 para Page e Brin, Urmson disse que a Uber estava contratando pessoas que ele havia sugerido ao Google mais de um ano antes, "mas teve negada a oportunidade de fazê-lo".

"Temos como alternativa ser o título ou uma nota de rodapé do livro de história sobre a próxima revolução dos transportes", acrescentou Urmson, segundo documentos judiciais da Uber, que incluíram diversos e-mails internos do Google. "Façamos a escolha certa."

Outro e-mail de novembro de 2015 mostrou que a direção do Google estava igualmente preocupada com a possível perda de Anthony Levandowski, o controverso engenheiro de veículos autônomos que é a figura central da batalha judicial atual.

Em novembro de 2015, o executivo de pesquisa do Google Astro Teller enviou e-mail ao chefe nomeado do projeto automotivo, John Krafcik, para alertar sobre a preocupação de Page com a possibilidade de Levandowski ir embora para uma rival.

Levandowski enviou e-mail a Page dois meses depois argumentando que o Google estava "perdendo nossa vantagem tecnológica rapidamente". O engenheiro escreveu que Krafcik estava muito concentrado em fechar acordo com a Ford Motor. (Waymo e Ford nunca reconheceram nenhuma negociação).

Dezoito dias depois, Levandowski saiu do Google. No dia seguinte, um executivo de recursos humanos do Google escreveu por e-mail que Page estava "chateado" com a saída de Levandowski. "Larry teme que ele comece algo competitivo", diz o e-mail.

Urmson deixou o Google em agosto de 2016. No mesmo mês, a Bloomberg noticiou que a Uber havia adquirido a Otto, uma empresa de veículos autônomos criada por Levandowski no início do ano.

"Um dos efeitos significativos da notícia Otto/Uber de hoje é o risco maior de atrito para nós", disse Dmitri Dolgov, um alto executivo do Google e da Waymo, em e-mail interno em 19 de agosto.

Havia outras "muitas e interessantes oportunidades de saída", acrescentou Dolgov, citando a gigante de pesquisa chinesa Baidu, as empresas de carona compartilhada Didi e Lyft e fabricantes de automóveis. Isso faz o projeto automotivo do Google "parecer menos competitivo do ponto de vista financeiro, por isso acho que deveríamos estar seriamente preocupados".

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