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Mulheres no setor de petróleo ganham menos em exploração

Angelina Rascouet

26/03/2018 12h24

(Bloomberg) -- Ser mulher e ter um dos maiores salários de uma grande empresa de petróleo integrada é raridade, mas a anomalia é ainda maior entre as firmas menores de exploração e produção.

Apenas 5 por cento dos profissionais que estão no quartil de maiores salários da operação britânica da Premier Oil são mulheres, segundo números que a empresa de exploração focada no Mar do Norte apresentou ao governo. A fatia contrasta com os 22 por cento das operações britânicas da Royal Dutch Shell, uma empresa muito maior que abrange desde produção até refino, marketing e venda de petróleo e gás no varejo.

Existem vários motivos para que os negócios de perfuração e bombeamento de petróleo, principalmente offshore, sejam mais dominados por homens.

Muitas funções demandam treinamento técnico ou científico, campos que historicamente atraem mais homens. O trabalho geralmente exige que os funcionários passem semanas em plataformas offshore isoladas, tornando mais difícil oferecer as condições de trabalho flexíveis que muitas empresas dizem que melhoram a retenção de funcionários do sexo feminino.

"Nossa força de trabalho offshore, que representa 7 por cento dos nossos funcionários, é 100 por cento masculina", informou a Premier Oil no relatório. Isso amplia a diferença, porque esses cargos atraem salários mais elevados "devido ao ambiente de trabalho".

A disparidade é ilustrada por dados da Shell. As operações da Shell U.K. -- a estrutura corporativa geral do país -- mostraram uma disparidade salarial de gênero menor do que a da Shell U.K. Ltd. -- negócio focado na exploração no qual as mulheres representam apenas 12 por cento dos maiores salários.

Nem todas as empresas de exploração publicaram seus resultados. Empresas como EnQuest e Cairn Energy têm até 4 de abril para apresentar seus números.

O lado da exploração do setor de petróleo mostra uma disparidade salarial entre gêneros semelhante à de tradings de commodities como Vitol Group e Trafigura Group, nas quais as mulheres representam menos de 5 por cento da liderança.

Todas registraram piores indicadores do que a maioria das empresas blue-chip e financeiras do Reino Unido. Por exemplo, 58 por cento dos que recebem os maiores salários na Burberry são mulheres e no Goldman Sachs International, 17 por cento são mulheres.

A Premier Oil disse que parte do problema está na formação. "O Reino Unido tem a menor proporção de engenheiras da União Europeia, menos de um em cada 10 profissionais de engenharia é mulher", afirma a empresa, citando o relatório Perkins Review of Engineering Skills de 2013.

A petroleira informou que está empenhada em melhorar a situação, o que inclui o apoio a funcionários embaixadores com formação em ciência, tecnologia, engenharia e matemática em Aberdeen, principal polo petrolífero britânico no Mar do Norte.

A indústria e a sociedade precisam "incentivar mais meninas a se envolverem" nesses campos, disse Deirdre Michie, CEO da Oil & Gas U.K., uma associação do setor. Isso criaria "um caminho para que mais mulheres fizessem carreira dentro do setor técnico".

--Com a colaboração de Kelly Gilblom

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