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Consultores-robôs pretendem conquistar clientes ricos nos EUA

Julie Verhage

(Bloomberg) -- Consultores-robôs foram construídos para oferecer gestão de patrimônio às massas. Agora, essas startups estão se voltando para um tipo de cliente bem mais abastado nos EUA.

Maior startup no mercado de consultoria financeira automatizada, a Betterment anunciou nesta quarta-feira que está acrescentando uma ferramenta capaz de ajustar alocações de investimento de forma mais granular. O serviço é restrito a clientes com pelo menos US$ 100.000 em ativos administrados pela Betterment.

Outras duas startups do ramo fizeram lançamentos parecidos nos últimos meses. A Ellevest, plataforma de investimento voltada para o público feminino fundada pela veterana de Wall Street, Sallie Krawcheck, introduziu um serviço privado de gestão de patrimônio no final do ano passado para clientes que disponibilizam mais de US$ 1 milhão. No mês passado, a Wealthfront lançou uma ferramenta para minimizar riscos de investimento para clientes com pelo menos US$100.000.

As taxas cobradas nos serviços voltados para clientes abastados costumam ser maiores, o que atrai empresas com pouca estrada e carentes de lucros. No entanto, muitos duvidam que indivíduos ricos se disponham a transferir ativos para serem administrados por robôs de instituições inexperientes. Esse tipo de cliente "sempre exigirá conselhos cara a cara", segundo relatório do Citigroup de 2016.

No começo, os consultores-robôs iam atrás de pessoas com pouca renda disponível e pouca experiência com investimentos. Essas firmas conseguem oferecer ferramentas de gestão de patrimônio cobrando pouco porque usam software automatizado ? em vez de funcionários humanos ? para dar orientações. Os clientes preenchem um questionário com perguntas sobre idade e objetivos para definir seu perfil de risco e depois recebem uma carteira customizada composta por fundos negociados em bolsa (exchange-traded funds ou ETFs) e outros investimentos passivos.

A concorrência aumentou a urgência no lançamento de novos produtos. Charles Schwab, Morgan Stanley e Vanguard Group também introduziram consultores-robôs nos últimos anos e há muito tempo têm bilhões em ativos sob gestão. Betterment e Wealthfront informam ter mais de US$ 10 bilhões cada.

"O segmento progrediu muito nos últimos anos, mas o sucesso também atraiu novos concorrentes, incluindo instituições grandes e estabelecidas do setor de serviços financeiros", afirmou Devin Ryan, analista da JMP Securities.

"A maior concorrência no ramo de gestão digital de patrimônio aparentemente está acelerando o ritmo de inovação."

O produto da Ellevest para milionárias cobra mais caro em troca de acesso a opções adicionais de investimento e interação com um gestor financeiro de carne e osso.

Na época do lançamento, Krawcheck disse que a firma desenvolveu o serviço a pedido de clientes interessadas em opções mais personalizadas.

No caso da Wealthfront, a investida junto ao público mais abastado criou problemas. A startup do Vale do Silício ativou um novo recurso de paridade de risco no mês passado para clientes donos de pelo menos US$ 100.000, mas sem consentimento explícito. Deste modo, os clientes pagariam taxas maiores a não ser que se manifestassem contra a opção. Quem não desativasse a ferramenta antes de o dinheiro ser transferido para o novo fundo poderia arcar com tributos significativos quando vendesse os ativos.

A Betterment pretende evitar polêmicas. O presidente Jon Stein explica que a startup dele recebeu muitas solicitações de clientes ricos por mais alternativas de alocação. Embora a ferramenta esteja restrita àqueles com US$ 100.000 ou mais na conta da firma, não há taxa adicional para uso do produto.

Um dos objetivos é construir uma base de clientes mais endinheirados. Segundo documento submetido recentemente à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), a Betterment tem 750 clientes de patrimônio elevado (com pelo menos US$ 1 milhão depositados na instituição ou fortuna pessoal líquida superior a US$ 2 milhões).

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