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Problemas de motor da Rolls-Royce afetarão empresas aéreas

Benjamin D. Katz, Christopher Jasper e Alan Levin

13/04/2018 13h59

(Bloomberg) -- Os problemas cada vez maiores da Rolls-Royce Holdings com os motores que movem um quarto da frota de aviões 787 da Boeing obrigarão algumas companhias aéreas a modificar rotas de voo ou a trocar de aeronave porque os órgãos reguladores limitarão as operações, disse uma pessoa a par do assunto.

A distância que os aviões 787 afetados podem voar em relação ao aeroporto alternativo mais próximo será reduzida, por isso a capacidade de realizar voos oceânicos será limitada, e vai ser necessário inspecionar os motores com mais frequência, o que manterá os aviões em solo regularmente, segundo a pessoa, que pediu anonimato porque as medidas ainda não foram divulgadas publicamente.

A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (AESA) está elaborando as restrições e deve anunciá-las como uma diretiva de navegabilidade aérea nesta sexta-feira, disse a pessoa. As limitações surgem depois que a Rolls-Royce revelou que seria necessário realizar inspeções adicionais em um lote de 380 turbinas a fim de resolver problemas de durabilidade que são mais graves do que se pensava.

Projeta-se que as operações de alcance prolongado com aviões bimotores (ETOPS, na sigla em inglês) dos aviões afetados sejam reduzidas de 330 minutos até o aeroporto mais próximo a cerca de 140 minutos, segundo a pessoa. O objetivo dessa restrição é manter os aviões bimotores a uma distância de voo até um lugar de pouso seguro caso uma turbina pare de funcionar. A redução do intervalo de tempo para os aviões com motores Trent 1000 poderia ser um problema particularmente para os voos que atravessam o Pacífico.

O intervalo de inspeção para os aviões 787 equipados com esses motores será reduzido de 200 viagens para 80, disse a pessoa, o que poderia causar mais transtornos para as empresas aéreas do que as limitações de distância. A Administração Federal de Aviação dos EUA vai impor restrições semelhantes depois que a AESA publicar sua decisão, disseram.

Duas das companhias aéreas que utilizam aviões 787 com motores Rolls-Royce e poderiam sofrer interrupções são a British Airways e a Virgin Atlantic Airways. A notícia prejudica a Rolls-Royce, com sede em Londres, que há apenas um mês havia indicado que os problemas dos motores pareciam ter sido resolvidos. A companhia também perderá mais dinheiro por causa do trabalho extra e dos possíveis pagamentos de compensação às empresas aéreas.

A Rolls-Royce manteve sua estimativa de 450 milhões de libras esterlinas (US$ 641 milhões) para o fluxo de caixa livre anual e afirmou que cortaria outros custos discricionários. Em conferência, a companhia preferiu não revelar qual será o tamanho do impacto adicional sobre o caixa. Problemas de durabilidade do Trent 1000 e de um motor usado no A380 da Airbus resultaram em um custo de 170 milhões de libras de caixa no ano passado, e esse número já iria dobrar em 2018.

--Com a colaboração de Hannah Benjamin

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