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Pais americanos dizem merecer licença, mesmo sem usar benefício

Jeff Green

18/04/2018 11h56

(Bloomberg) -- Muitos pais americanos dizem que apoiam a possibilidade de obter uma licença remunerada para cuidar de crianças recém-nascidas -- mas talvez se refiram a outros pais. A maioria dos homens não tira mais de uma semana de licença e mostra menos propensão a usar o benefício quando nasce um segundo filho, de acordo com uma nova pesquisa da Universidade Estadual Ball, dos EUA.

Apenas 14 por cento dos pais que tiram licença usam mais de duas semanas, disse Richard Petts, que tem dois filhos e é professor de Sociologia da Ball. Ele analisou diversos conjuntos de dados sobre quem usa licença parental e de que forma. Em um estudo, os pais de primeira viagem se mostraram 77 por cento mais propensos a tirar licença do que um pai com dois ou mais filhos; outro estudo apontou que os pais de primeira viagem eram 44 por cento mais propensos a gozar da licença.

"Quem faz isso pela primeira vez está superanimado e não necessariamente pensa 'isso vai ser muito mais difícil do que eu imaginei'", disse Petts, que se interessou pelo assunto após descobrir que tinha poucas opções de licença remunerada quando nasceram seu filho, de 5 anos, e sua filha, de 4.

A relutância -- ou impossibilidade -- dos homens em tirar licença para cuidar de um filho é muitas vezes considerada prejudicial para as mulheres, que perdem oportunidades de promoção por ficarem fora da força de trabalho por períodos mais longos do que os homens. Quando os homens tiram licenças mais longas, ocorrem duas coisas: as mulheres voltam ao trabalho antes e os homens têm mais consciência desses custos de oportunidade e ficam menos tolerantes a respeito deles. Além disso, disse Petts, os pais que tiram licenças mais longas também tendem a se envolver mais com a vida e o cuidado dos filhos em geral.

Cerca de 24 por cento das empresas americanas oferecem licença parental, segundo a pesquisa mais recente da Sociedade para Gestão de Recursos Humanos (SHRM, na sigla em inglês). O benefício médio é de cerca de 41 dias para licenças-maternidade e de 22 dias para licenças-paternidade -- e enquanto 66 por cento das mulheres usam a licença total disponível, apenas 36 por cento dos homens fazem o mesmo, segundo a SHRM. Os EUA são o único país industrializado que não oferece licença parental federal.

O estudo também destaca que os pais com empregos mais consolidados e com salários mais altos têm propensão maior a tirar licença, e por mais tempo, do que os que ganham menos ou que estão no início de suas carreiras, disse Petts.

"A maioria das empresas não oferece licença remunerada para quem tem filhos", disse Petts. "Se só os ricos têm acesso, isso apenas aumenta a desigualdade."