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Equador quer resolver problema com EUA por erva daninha no cacau

Isis Almeida

24/04/2018 16h10

(Bloomberg) -- O Equador, o principal produtor de cacau da América Latina, está negociando a resolução de um impasse sobre uma erva daninha que levou os EUA a rejeitarem muitas exportações de grãos desde o ano passado, de acordo com uma associação do setor.

As exportações de cacau do Equador para os EUA caíram muito desde setembro, quando os EUA rejeitaram cargas que continham capim-camalote (Rottboellia cochinchinensis). O governo se reunirá com as autoridades americanas nesta semana em Guayaquil para ajudar a resolver o problema, disse Francisco Miranda, membro do conselho da Associação Nacional de Exportadores de Cacau (Anecacao).

As importações dos EUA representaram cerca de 30 por cento da produção de cacau do Equador nos últimos anos, mas essa proporção caiu para 15 por cento no primeiro trimestre, de acordo com a Anecacao. O setor equatoriano de cacau está em uma "situação crítica" por causa das rejeições, que estão prejudicando a rede de abastecimento dos produtores aos exportadores e aos processadores, afirmou o grupo em um relatório. Até agora, foram retidas as cargas de oito exportadores.

O capim-camalote, normalmente encontrado nos trópicos e nos subtrópicos, é proibido nos EUA porque compete com as lavouras de milho e algodão pelos nutrientes do solo, pela água e pela luz, segundo o Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal do Departamento de Agricultura dos EUA. As ervas daninhas encontradas no ano passado foram as primeiras detectadas nas exportações de cacau equatoriano em dados desde 2013.

Problema

Eliminar o capim-camalote "é impossível, assim como eliminar provavelmente qualquer erva daninha e a quantidade encontrada nos sacos das exportações não aumentou", disse Miranda na segunda-feira em entrevista na World Cocoa Conference. "As regulações também não mudaram. O que aconteceu foi que os americanos começaram a prestar mais atenção nisso."

O Equador está tentando mostrar às autoridades dos EUA que é improvável que o capim-camalote possa germinar em temperaturas baixas mesmo que as sementes cheguem em condições ótimas, disse Miranda. Como os grãos são transportados em sacos dentro de contêineres e levados para os armazéns para serem torrados, moídos e transformados em chocolate, é improvável que as sementes de capim-camalote cheguem aos campos americanos, disse ele.

As remessas equatorianas rejeitadas foram reencaminhadas para outros países, entre eles a China e a Indonésia, e até agora nenhuma foi destruída, disse ele. Mesmo assim, alguns exportadores equatorianos estão tendo problemas porque têm contratos de fornecimento para clientes americanos, de acordo com Miranda, que também é gerente e diretor de sustentabilidade da exportadora Guangala, em Guayaquil.

"Ainda temos problemas porque temos contratos pendentes com um cliente", disse Miranda, que teve algumas remessas recusadas. "Começamos a mandar um contêiner de cada vez para tentar cumprir esses contratos, compartilhando o risco com o nosso cliente."

Título em inglês:
Ecuador Seeks to End Noxious Weed Spat Curbing U.S. Cocoa Trade