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UE amplia proibição de pesticidas ligados à morte de abelhas

Agnieszka de Sousa e Jonathan Stearns

(Bloomberg) -- A União Europeia ampliará uma proibição de pesticidas ligados a efeitos nocivos para abelhas, uma medida que poderia ameaçar a produção de alguns cultivos e pressionar fabricantes de inseticidas, como Bayer e Syngenta.

Nesta sexta-feira, os governos da UE em Bruxelas decidiram em votação proibir o uso de neonicotinoides fora de estufas. Dezesseis países aprovaram a restrição proposta pela Comissão Europeia, e o resultado foi positivo conforme as normas da "maioria ponderada". A medida será adotada pela comissão, o braço regulatório da UE, nas próximas semanas e entrará em vigor até o fim do ano.

Os neonicotinoides, usados como um revestimento para sementes e para proteger plantas de pragas, foram proibidos pelos órgãos reguladores da UE em 2013 no cultivo de canola, girassol e milho depois que alguns estudos vincularam o uso à morte de abelhas. A votação de hoje foi realizada após uma análise feita em fevereiro pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, que concluiu que os químicos apresentam riscos à saúde das abelhas. A ampliação da proibição abrangerá três neonicotinoides: clotianidina, imidacloprida e tiametoxam.

"A saúde das abelhas continua sendo da maior importância para mim, porque tem a ver com a biodiversidade, a produção de alimentos e o meio ambiente", disse Vytenis Andriukaitis, comissário de Saúde e Segurança Alimentar da UE, em comunicado.

Safras em risco

Algumas associações do setor afirmam que uma proibição reduziria a produção de safras como trigo ebeterraba-sacarina. Parar de usar neonicotinoides poderia provocar uma queda nos rendimentos dabeterraba-sacarina da UE, com estimativas que vão de 10 por cento a 49 por cento, segundo a International Confederation of European Beet Growers (CIBE). A votação de hoje é um "golpe duro" para os produtores debeterraba-sacarina, afirmou nesta sexta-feira a organização com sede em Bruxelas.

"A agricultura europeia sofrerá por causa desta decisão", disse Graeme Taylor, porta-voz da European Crop Protection Association, que representa produtores de pesticidas. "Com o tempo, as autoridades verão o claro impacto de eliminar uma ferramenta vital para os agricultores e para a produção de alimentos da Europa."

Alguns agricultores já estão reduzindo a superfície plantada com canola por causa dos rendimentos mais baixos e do custo mais elevado para proteger as safras, segundo Miroslaw Marciniak, um analista do mercado de grãos em Varsóvia. A mesma coisa poderia acabar acontecendo com os grãos, disse ele.

Declarações

Evidências mostram que os produtos representam uma ameaça mínima à saúde das abelhas em comparação com a falta de alimentos, as doenças e o clima frio, afirmou em comunicado a Syngenta, com sede na Basileia, Suíça. A Bayer, que tem sede em Leverkusen, Alemanha, afirmou que as restrições não são justificadas e são "prejudiciais paro setor agrícola europeu e para o meio ambiente".

A proibição "ajudaria muito a desacelerar a morte de insetos, talvez até a acabar completamente com ela", disse a ministra alemã de Meio Ambiente, Svenja Schulze, na emissora ZDF nesta sexta-feira, antes do anúncio da UE. "Devemos mudar nossa abordagem em relação aos pesticidas. O que está acontecendo hoje é muito dramático e nós tomaremos medidas."

--Com a colaboração de Ewa Krukowska e Iain Rogers

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