Bolsas

Câmbio

Brexit pode abalar orçamento de assistência agrícola da UE

Slav Okov e Jonathan Stearns

(Bloomberg) -- Enquanto a União Europeia se prepara para enfrentar conflitos políticos por causa de seu orçamento pós-Brexit, uma fazenda no país-membro mais pobre do bloco evidencia o que está em jogo.

A AJD Agro, uma produtora e exportadora de grãos da Bulgária, deve sua existência aos subsídios europeus à agricultura. Este apoio agora poderia sofrer cortes, porque a UE vai tentar tapar o rombo causado pelo Brexit no orçamento e aumentar os gastos em segurança na proposta amplamente aguardada que deve ser apresentada em 2 de maio.

A empresa perdia dinheiro até a chegada do primeiro pagamento da UE em 2008, um ano depois que a Bulgária entrou no bloco. Desde então, a companhia cresceu e se tornou uma vendedora rentável de trigo, cevada, milho e girassol, a principal produtora de alfafa da Bulgária e um ativo econômico nacional que depende de fundos da UE para cobrir um terço de seu orçamento anual de investimento, de 5 milhões de euros (US$ 6 milhões).

"O financiamento da UE nos disparou para o espaço", disse Dimitar Machuganov, diretor da AJD Agro em Letnica, uma cidadezinha no norte do país, em entrevista em 24 de abril, enquanto lavava as mãos para limpar o óleo de motor de uma máquina que ele ajudou a consertar. "Sem isso, não tínhamos nenhuma chance de chegar onde estamos. Nós nos tornamos uma fazenda moderna. Isso nos ajudou a conquistar a confiança dos bancos, nos deu experiência para nos desenvolver."

A redução dos cofres colocará à prova a capacidade da UE de atender às necessidades de pessoas como Machuganov e representará um novo desafio para a coesão política europeia no momento em que começam as deliberações sobre o programa de gastos do bloco para 2021-2027. As relações têm se desgastado nos últimos anos por causa da crise da dívida desencadeada pela Grécia, da maior avalanche de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial, da decisão do Reino Unido de abandonar o bloco e do recuo da democracia na Europa Oriental.

Rombo

As transferências nacionais preenchem cerca de 80 por cento dos cofres da UE, e o Reino Unido é o segundo maior contribuinte líquido, depois da Alemanha. Por isso, o Brexit deixará um rombo anual de 10 bilhões de euros em um momento em que o bloco enfrenta pedidos de gastar mais em controles fronteiriços e em defesa, devido a maiores receios relativos ao terrorismo islâmico, aos imigrantes do Oriente Médio e da África e à agressão da Rússia.

Isto chamou a atenção para os subsídios agrícolas e a assistência regional da UE, que combinados representam cerca de 70 por cento dos gastos do bloco. A proposta orçamentária que será apresentada na quarta-feira pela Comissão Europeia, o braço executivo da UE em Bruxelas, vai prever um corte de 6 por cento nesses dois programas, segundo uma autoridade a par do assunto.

Solidariedade

Em Letnica, uma cidadezinha com menos de 3.000 moradores localizada perto de uma série de cachoeiras que atraem turistas, Machuganov, da AJD Agro, está aflito. Aumentar o gasto em segurança é compreensível, mas seria imprudente fazer isso às custas dos subsídios agrícolas, disse ele, acrescentando que é preciso ter coragem política para garantir contribuições maiores para o orçamento europeu.

"Espero que as autoridades na Europa sejam mais sábias", disse ele. "A Europa precisa de mais solidariedade."

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos