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Saiba como investidor pode lucrar após início da Copa do Mundo

Austin Weinstein, Janet Freund e Paul Jarvis

14/06/2018 11h45

(Bloomberg) -- O palco está montado há tempos para a Copa do Mundo da Fifa, que começa nesta quinta-feira na Rússia. Investidores e analistas já calcularam os possíveis benefícios de fabricantes de cerveja, comerciantes e anunciantes. Que oportunidades restam?

No caso das casas de apostas e dos bares, o desempenho financeiro provavelmente será influenciado pelos resultados do torneio, que dura um mês. As casas de apostas se beneficiariam com uma série de resultados surpreendentes e jogos empatados, mas o excesso de vitórias para times favoritos como o Brasil seria um revés. Quanto mais tempo a Inglaterra permanecer no torneio, melhor para as operadoras de bares britânicas. Se a Austrália surpreender, pode-se esperar um impulso da Domino's Pizza Enterprises, que é do país. E a fornecedora do uniforme da equipe vencedora provavelmente também será beneficiada.

"Os vencedores desta competição normalmente são bem estabelecidos e os torcedores mostram uma propensão maior para irem a bares nos grandes jogos ou para receberem pessoas em casa, o que aumenta as vendas de TVs de tela grande e de bebidas alcoólicas", disse Joshua Mahony, analista de mercado da IG em Londres, por e-mail.

Confira um resumo dos setores que deverão ser afetados.

Apostas

O torneio oferecerá terreno fértil para casas de apostas como Paddy Power Betfair, GVC Holdings e William Hill em uma corrida para recrutar clientes on-line. Mas o que mais influirá no desempenho financeiro a curto prazo provavelmente serão os resultados dos próprios jogos. Se o favorito Brasil levantar o troféu em 15 de julho, as casas de apostas podem acabar arcando com enormes passivos. Como a maioria das grandes casas de apostas de capital aberto tem sede no Reino Unido, uma vitória da Inglaterra também seria cara.

O volume de apostas feitas no evento deverá subir e os aplicativos para smartphones as tornam mais fáceis do que nunca. A bolsa de apostas Betfair divulgou "níveis fortes de atividade" antes do torneio e espera receber 2,5 bilhões de libras (US$ 3,3 bilhões) em apostas. A australiana Tabcorp Holdings pode ver um ganho de receita de até 140 milhões de dólares australianos (US$ 106 milhões) com a competição, superior aos US$ 126 milhões da edição Brasil 2014, segundo Andrew Orbach, analista da Taylor Collison.

Por outro lado, a Copa do Mundo pode ser um fator negativo a curto prazo para setores como o de cassinos, que deverão sair perdendo enquanto a atenção e o dinheiro dos apostadores estiverem em outra coisa. Durante a última Copa, em 2014, a receita bruta de Macau com jogos de azar diminuiu em junho e julho e não se recuperou nem mesmo após o fim do torneio. Na semana passada, o Deutsche Bank reduziu as estimativas para a Wynn Resorts afirmando que a Copa do Mundo "poderia gerar uma certa fraqueza em termos de clientes VIP em junho".

Bares

Os bares dos países cujas seleções avançarem até as fases finais do torneio deverão ganhar recebendo multidões de torcedores nas comemorações. A decepção gerada por uma saída antecipada provavelmente provocará o efeito oposto. Segundo analistas da Berenberg, a Copa do Mundo será vantajosa para operadoras de bares britânicas, como a Greene King, e a corretora estima que algumas podem ver um aumento de 2 por cento a 3 por cento nas vendas comparáveis no trimestre.

Equipamentos esportivos

A fabricante do uniforme da seleção vencedora pode esperar um aumento a curto prazo nas vendas de camisetas réplicas. Na última Copa do Mundo, em 2014, a Adidas vendeu mais de 8 milhões de camisetas, incluindo 2 milhões nas cores da campeã Alemanha. Na Rússia, a Adidas patrocina 12 das 32 equipes, incluindo potências perenes como Argentina, Espanha e Alemanha, e a arquirrival Nike fornece materiais para 10 equipes, incluindo Brasil, Portugal e França. Após a eliminação da Itália nas eliminatórias, a Puma conta com Senegal, Sérvia, Suíça e Uruguai.

Streaming ao vivo

O JPMorgan Chase estima que o Twitter se beneficiará depois de fechar parceria com a Fox Sports para mostrar os melhores momentos da Copa do Mundo quase em tempo real. O torneio deste ano pode ser um negócio muito maior para o Twitter do que o de 2014, quando o evento contribuiu com cerca de US$ 24 milhões em receitas no segundo trimestre, segundo Rob Sanderson, analista da MKM Partners. A concorrência também pode fornecer crescimento de tráfego para a Akamai Technologies, que ajuda os clientes a entregarem conteúdo pela Internet, e para empresas de radiodifusão e telecomunicações que fornecem streaming em tempo real para usuários de dispositivos móveis.

Viagem

Os torcedores que acompanham os jogos têm maior propensão a ficar grudados na TV e podem adiar o planejamento de viagens no verão (Hemisfério Norte), segundo Naved Khan, analista da SunTrust. Isso poderia gerar fraqueza na Booking Holdings.

Direitos de TV

A receita com publicidade nos EUA vinculada à Copa do Mundo deverá ser menor do que em 2014 pelo fato de a seleção do país não ter conseguido se classificar, segundo a Bloomberg Intelligence. A Twenty-First Century Fox e a Telemundo, da Comcast, garantiram os direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2018 e 2022 por cerca de US$ 1 bilhão em 2015. Os horários dos jogos -- muitos passarão no início da manhã -- provavelmente também afetarão as duas emissoras. Mas a Telemundo sofrerá um impacto geral menor "simplesmente porque os espectadores hispânicos estarão sintonizados", diz Amine Bensaid, analista da BI.

Jogos de videogame da Copa do Mundo

A produtora de jogos de videogame da Fifa, a Electronic Arts, também pode sair ganhando com a Copa do Mundo. Matthew Kanterman, da Bloomberg Intelligence, escreveu no mês passado que estima que a projeção para a EA provavelmente "se mostrará conservadora em meio ao crescimento robusto de serviços ao vivo, como o FIFA Ultimate Team, e a Copa do Mundo provavelmente gerará um impulso".

--Com a colaboração de Lisa Pham, Daniela Wei, Abhishek Vishnoi, Matthew Burgess, Abigail Wen Yi Ng e Kintan Andanari.

Repórteres da matéria original: Austin Weinstein em N York, aweinstein18@bloomberg.net;Janet Freund em N York, jfreund11@bloomberg.net;Paul Jarvis em Londres, pjarvis@bloomberg.net

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