Três membros da Opep vetarão aumento da oferta, segundo Irã
(Bloomberg) -- O Irã afirma que a Venezuela e o Iraque se unirão ao país para bloquear a proposta de aumentar a produção de petróleo, apoiada pela Arábia Saudita e pela Rússia, quando a Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo) e seus aliados se reunirem em Viena, nesta semana.
"Três fundadores da Opep a vetarão", disse o representante do Irã para o bloco, Hossein Kazempour Ardebili, em comentários à Bloomberg, no domingo (17). "Se o Reino da Arábia Saudita e a Rússia querem aumentar a produção, isso exige unanimidade. Se os dois quiserem agir sozinhos, estarão violando o acordo de cooperação."
Os comentários do Irã mostram que os membros da Opep deverão entrar em conflito quando se reunirem, no fim desta semana, em Viena, para discutir a proposta de encerrar os cortes na produção global. O pacto histórico entre 24 nações cumpriu os objetivos de equilibrar os mercados de petróleo e elevar os preços dos barris e os dois maiores produtores querem um relaxamento das cotas no mês que vem.
Mas enquanto a Arábia Saudita e a Rússia bombeiam abaixo da capacidade, muitos países da Opep, incluindo o Irã e a Venezuela, teriam dificuldades para ampliar a produção mesmo que suas cotas fossem aumentadas.
A Opep e seus aliados poderiam considerar um aumento de produção de até 1,5 milhão de barris por dia, disse o ministro de Energia da Rússia, Alexander Novak, na quinta-feira (14). O total seria suficiente para compensar as perdas de oferta da Venezuela e do Irã previstas pela AIE (Agência Internacional de Energia).
A Arábia Saudita vem discutindo vários cenários que elevariam a produção em 500 mil a 1 milhão de barris por dia, segundo pessoas a par do assunto.
Pressão de Trump
A aliança também enfrenta pressão de fora. O presidente dos EUA, Donald Trump, continua criticando a Opep por meio de sua conta no Twitter. Preocupado com o impacto dos preços da gasolina nas eleições legislativas, o governo Trump está exercendo forte pressão pelo aumento da produção.
"Lembramos aos nossos irmãos da Opep e da Rússia que não precisamos agradar Trump, que está sancionando dois fundadores da Opep e também a Rússia", disse Kazempour Ardebili. "Somos nações soberanas movidas por nossas próprias responsabilidades e valores. O mundo inteiro precisa se opor a essas atitudes arrogantes --e o fará."
Com as sanções dos EUA, o Irã e a Venezuela podem perder quase 30% de produção de petróleo no ano que vem, o que exigirá oferta extra dos membros do grupo no Golfo, afirmou a AIE na semana passada.
"Não houve mudanças nos fundamentos do mercado", embora a Administração de Informações de Energia dos EUA e a AIE "tenham se apressado em afirmar o contrário", disse Kazempour Ardebili.
"O mercado está bem abastecido e a Opep deve cumprir sua decisão até o fim do ano", disse. "Tenho certeza de que muitos outros membros da Opep sentem e agem da mesma forma."
ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}
Ocorreu um erro ao carregar os comentários.
Por favor, tente novamente mais tarde.
{{comments.total}} Comentário
{{comments.total}} Comentários
Seja o primeiro a comentar
Essa discussão está encerrada
Não é possivel enviar novos comentários.
Essa área é exclusiva para você, assinante, ler e comentar.
Só assinantes do UOL podem comentar
Ainda não é assinante? Assine já.
Se você já é assinante do UOL, faça seu login.
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Reserve um tempo para ler as Regras de Uso para comentários.