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Jovens ricos querem mais conselhos sobre criptomoedas

Chanyaporn Chanjaroen

(Bloomberg) -- Os gestores de riqueza precisam superar a relutância em discutir investimentos em criptomoeda com seus clientes mais jovens para evitar que eles procurem aconselhamento com outros especialistas, de acordo com a empresa de consultoria Capgemini.

Mais de 70 por cento dos milionários com menos de 40 anos consideram que é importante receber informações sobre criptomoedas de seus principais gestores de riqueza, de acordo com uma pesquisa da Capgemini publicada nesta terça-feira. Apenas 13 por cento das pessoas com 60 anos ou mais consideraram necessário esse tipo de assessoramento.

Os bancos privados "não precisam necessariamente oferecer produtos ou assessoramento sobre detalhes específicos, mas seria um bom ponto de partida conversar sore o assunto e ter uma opinião ", disse David Wilson, diretor de gestão de riqueza da Capgemini para a Ásia. "Se você não conseguir conversar sobre o assunto com os clientes da nova geração, você estará por fora e eles buscarão alguém com quem conversar."

O crescente interesse global nas moedas criptografadas elevou os preços do bitcoin mais de 1.400 por cento no ano passado, embora boa parte desse aumento tenha se perdido em 2018. A queda forte deste ano ocorreu em meio a uma série de roubos cibernéticos, incluindo o roubo de quase US$ 500 milhões da bolsa japonesa Coincheck no fim de janeiro e um ataque menor na Coreia do Sul neste mês.

Apenas 35 por cento dos entrevistados pela Capgemini disseram ter recebido informações sobre criptomoedas de seus gestores de riqueza. A novidade do mercado e a falta de diretrizes consistentes dos órgãos reguladores globais dissuadem os bancos privados, disse Wilson. Muitos gestores de riqueza ainda não têm conhecimentos suficientes sobre criptoativos, acrescentou ele.

Não só o setor de gestão de riqueza, mas também o mundo financeiro continua dividido em relação ao investimento em criptomoedas. Entre os céticos estão dois dos bilionários mais ricos do mundo, Bill Gates e Warren Buffett, assim como Jamie Dimon, do JPMorgan Chase.

Empresas de tecnologia

Outro possível desafio para os bancos privados é o interesse demonstrado pelos milionários mais jovens de que a gestão de riqueza esteja em mãos de uma grande empresa de tecnologia, de acordo com a pesquisa. Cerca de 88 por cento das pessoas com menos de 40 anos disseram que gostariam de contar com o assessoramento de empresas como Google, da Alphabet, se a companhia entrar no setor de gestão de riqueza, afirmou a Capgemini.

O interesse em ser assessorado por uma empresa de tecnologia é especialmente forte na América Latina e na Ásia, excetuando o Japão, de acordo com a Capgemini. Microsoft, Amazon.com e Apple também foram mencionadas como gestoras de riqueza "desejáveis" se decidirem entrar nesse ramo.

Wilson disse que é uma questão de "quando e não de se" que as grandes empresas de tecnologia comecem a oferecer serviços de gestão de riqueza. Os bancos privados estão aumentando seus investimentos em tecnologia, como inteligência artificial e automação, à medida em que se adaptam às mudanças do mercado, acrescentou ele.

A Capgemini entrevistou mais de 2.600 pessoas com pelo menos US$ 1 milhão em ativos investíveis, em 19 mercados ricos nas Américas, na Europa e na região Ásia-Pacífico. Cerca de 47 por cento dos entrevistados tinham menos de 40 anos.

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