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Maersk fecha fábrica em meio à busca do Chile por investimentos

Daniela Guzman

(Bloomberg) -- A decisão da AP Moller-Maersk de fechar uma fábrica de contêineres no Chile apenas três anos após a inauguração foi um choque para um país acostumado a ser o queridinho dos investidores estrangeiros.

Uma unidade da Maersk anunciou o fechamento da fábrica de US$ 200 milhões em 14 de junho, citando o aumento da concorrência da China, onde foram abertas sete fábricas semelhantes nos últimos anos. A decisão custará 1.209 empregos em San Antonio -- um número elevado de trabalhadores para uma cidade portuária que já é pobre.

"O que choca é que a fábrica abriu em 2015 e fechou em 2018", disse o ministro da Economia, José Ramón Valente, em entrevista, em Santiago. "É um período curto demais."

O novo governo do presidente Sebastián Piñera está agindo rapidamente para descobrir por que o projeto fracassou em meio ao novo esforço para atrair investimentos, disse Valente. Será que a lei trabalhista aprovada pelo governo anterior gerou as tensões que levaram a uma greve na fábrica, no ano passado, e minou sua competitividade? Ou trata-se de um reflexo do que tem ocorrido com os demais países ao tentarem competir com a potência industrial chinesa?

"Temos que descobrir se houve alguma mudança global nos últimos três anos ou se algo mudou no Chile", disse Valente.

O debate se dá em um momento em que o governo de Piñera planeja mudanças nas leis trabalhistas aprovadas pela ex-presidente Michelle Bachelet, que proibiram as empresas de substituírem trabalhadores em greve, com exceção dos serviços essenciais ou de manutenção. O sindicato que representa os trabalhadores da fábrica rejeita categoricamente a insinuação de que tenha tido alguma influência no fechamento, citando os reiterados problemas técnicos da fábrica.

A Maersk, por sua vez, afirmou que a mudança se deve ao excesso de produção global de contêineres e aos atrasos de até quatro meses no envio de matérias-primas da China.

Valente mantém a cabeça aberta em relação ao motivo.

"Fechamentos de fábrica são um processo normal em uma economia aberta", disse. "O que nos surpreendeu foi o curto tempo em que se deu."

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