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Amazon, Berkshire e JPMorgan fecham parceria para saúde

Zachary Tracer

25/06/2018 11h14

(Bloomberg) -- O empreendimento de saúde criado por Amazon.com, Berkshire Hathaway e JPMorgan Chase se concentrará nos intermediários do sistema de saúde dos EUA como parte de um amplo esforço para redução de gastos desnecessários, disse o CEO recém-nomeado do empreendimento.

A empresa ainda sem nome buscará inicialmente desenvolver formas de melhorar o atendimento a mais de 1 milhão de indivíduos com planos de saúde das três empresas. Com o tempo, o empreendimento disponibilizará essas inovações gratuitamente a outras empresas, o que significa que, se tiver êxito, seus efeitos poderão ser sentidos de forma mais ampla pelas mais de 150 milhões de pessoas nos EUA que contam com plano de saúde por meio do trabalho.

"Meu trabalho para eles é descobrir formas de gerar melhores resultados, melhor satisfação com a saúde e melhor eficiência de custos com novos modelos que possam ser incubados para todos", disse Atul Gawande, o cirurgião de Harvard e jornalista que foi escolhido na semana passada para chefiar a iniciativa, em evento do Aspen Institute no sábado.

Gawande, 52, começa em 9 de julho na firma com sede em Boston, que é independente das três empresas que a estabeleceram e não foi pensada para gerar lucros. As empresas, coletivamente, pouco informaram a respeito do que o empreendimento fará desde que foi anunciado, em janeiro, o que provoca grande especulação sobre seus planos de subverter os cuidados de saúde.

Gawande disse que o empreendimento tentará mirar três tipos de desperdícios no sistema de saúde: custos administrativos, preços elevados e uso indevido do plano de saúde. Ele não informou quais intermediários o empreendimento poderia mirar, nem quais são seus planos.

Atacando os custos

"Uma fonte de desperdício são nossos custos administrativos extremamente altos", disse em conversa com a jornalista Judy Woodruff, no evento Spotlight Health. "Há muitos intermediários no sistema e é preciso que haja soluções para simplificar isso, para tirar alguns intermediários do sistema."

Quando o empreendimento foi anunciado, os investidores derrubaram ações de empresas de planos de saúde, gerenciadoras de benefícios farmacêuticos e distribuidores, preocupados com a possibilidade de a iniciativa afetar seus lucros. As declarações de Gawande no evento são as mais detalhadas até o momento a respeito dos planos e podem confirmar algumas dessas preocupações.

As maiores gestoras de benefícios farmacêuticos dos EUA são a CVS Health, a Express Scripts Holding e a OptumRx, uma unidade da UnitedHealth. A UnitedHealth é a maior empresa de planos de saúde dos EUA e entre as demais grandes empresas do setor estão Cigna, Aetna e Anthem.

O setor de saúde também vem se reconfigurando. A CVS anunciou no fim do ano passado um acordo para a aquisição da Aetna e a Cigna fechou em março a compra da Express Scripts.

Gawande também disse que o empreendimento tem um longo horizonte de tempo, fazendo coro a comentários anteriores do CEO da Berkshire, Warren Buffett, e do CEO do JPMorgan, Jamie Dimon. Ele levantou questionamentos a respeito do futuro papel dos empregadores no sistema de saúde dos EUA considerando que os trabalhadores mudam cada vez mais de emprego ou trabalham em funções de menor importância que não oferecem plano de saúde na chamada economia gig.

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