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Startups de antibióticos lutam contra superbactérias na Índia

Ari Altstedter

25/06/2018 15h55

(Bloomberg) -- O pai de Anand Anandkumar era médico e passou a vida lutando contra doenças infecciosas em Chennai, uma cidade no sul da Índia. E morreu por causa de uma infecção.

Em uma de muitas hospitalizações devido a uma insuficiência cardíaca, ele foi contagiado por uma bactéria resistente à maioria dos antibióticos e morreu de septicemia. A história é comum na Índia, onde as chamadas "superbactérias" matam quase 60.000 recém-nascidos por ano. A rápida propagação de bactérias resistentes transformou a Índia no epicentro de uma guerra para evitar um mundo pós-antibióticos, onde as pessoas morreriam novamente aos milhares por causa de infecções comuns.

"Estamos na linha de frente", disse Anandkumar, que cofundou a Bugworks Research India, uma startup com sede em Bangalore, na Índia, um ano depois da morte do pai, para criar novos antibióticos. "Estamos criando uma bala contra organismos que estão destruindo a humanidade. Não seria bom ter um campo de batalha muito duro para testá-la?"

O teatro de guerra está ao redor dele. Anos de uso mal controlado de antibióticos em humanos e animais, combinados com resíduos do setor farmacêutico local que transformaram lagos e córregos em terrenos férteis para a resistência, deixaram a Índia com poucas armas para lutar contra infecções. Um estudo de um hospital no sul da Índia concluiu que metade dos pacientes contraiu pelo menos uma infecção durante a hospitalização e cerca de 74 por cento dessas infecções mostraram resistência a diversos medicamentos.

Reação

Diante disso, o governo indiano começou a agir, proporcionando financiamento inicial para pesquisa a startups como a Bugworks e dando orientação e apoio. O governo financia a incubadora de startups que a Bugworks e outras 21 empresas de biotecnologia compartilham.

No ano passado, a Bugworks se tornou a primeira empresa da Ásia a receber investimentos do CARB-X, o principal instrumento de financiamento do governo dos EUA para a luta contra as superbactérias.

Os governos começaram a tomar medidas conjuntas nos últimos anos. Em 2015, os EUA lançaram a iniciativa Combating Antibiotic Resistant Bacteria. No ano seguinte, o governo do Reino Unido encomendou um relatório que concluiu que a cada ano as superbactérias matam cerca de 700.000 pessoas em todo o mundo, número que poderia aumentar para 10 milhões por ano em 2050 se nada for feito.

A resposta da Bugworks é um antibiótico que ataca as bactérias de duas maneiras ao mesmo tempo, em vez da abordagem de um único alvo dos medicamentos tradicionais, tornando mais difícil que a bactéria desenvolva resistência. O medicamento também contorna as defesas da própria bactéria, e assim ganha tempo para matar a infecção.

Os custos baixos de pesquisa e o grande número de pessoas formadas em biotecnologia na Índia significam que a Bugworks não está sozinha na tentativa de frear a onda de superbactérias. No mesmo edifício, a Biomoneta está focando em um sistema de purificação do ar que mata as bactérias nos hospitais antes que elas possam infectar os pacientes.

"Este é provavelmente o epicentro do problema", disse Janani Venkatraman, o fundador da Biomoneta. "Mas também há muitas pessoas trabalhando para solucionar o problema, e isso cria um ecossistema extremamente estimulante e colaborativo."

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