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Copa do Mundo traz trégua necessária, diz magnata da MRV

Fabiola Moura

27/06/2018 13h17

(Bloomberg) -- O empreendedor brasileiro Rubens Menin se mantém firme em relação aos planos de investimentos multibilionários de suas empresas, apesar do pessimismo que tomou conta do mercado -- pelo menos por enquanto.

Menin, 62, fundou e controla o conglomerado que inclui a MRV Engenharia e Participações, terceira maior construtora do mundo, o Banco Inter e a Log Commercial Properties. Os negócios vão bem porque os mercados em que ele atua são promissores: moradias de baixa renda, banco digital e logística premium. Até o momento, isso tem sido suficiente para compensar a queda da confiança no Brasil, cujas projeções de crescimento foram reduzidas devido à greve dos caminhoneiros que paralisou o País e as eleições presidenciais, que podem interromper a atual agenda de reformas.

"Não adianta você estar numa 'ilha de felicidade'. Isso não é nem bacana, nem sustentável", disse Menin, por telefone. "O momento está muito mais difícil do que a gente previa no início do ano. A agenda econômica está muito ruim, isso em virtude de uma agenda política horrorosa."

O Brasil precisa de união para passar pelos próximos meses, disse -- e isso poderia começar com uma vitória na Copa do Mundo, que traria uma trégua necessária para o pessimismo.

A MRV planeja investir R$ 5 bilhões por ano nos próximos 10 anos em moradias de baixa renda. A plataforma digital Banco Inter usará recursos captados em uma abertura de capital realizada neste mês para investir em tecnologia e sustentar o crescimento, disse Menin. Ele não vendeu sua participação no banco, nem reduziu significativamente sua fatia na MRV, e reitera sua estratégia de dividendos altos, que descreve como "o jeito mais bacana de tratar os investidores".

A MRV distribuiu dividendos recorde em 2016 e 2017, com dois pagamentos extraordinários, e o co-CEO Eduardo Fischer afirmou que os pagamentos de dividendos devem continuar subindo.

As ações da MRV acumulam queda de cerca de 20 por cento neste ano, em linha com as ações de outras construtoras, que despencaram devido ao receio de o Brasil elevar as taxas de juros mais rapidamente que o esperado. O Ibovespa caiu 6,5 por cento no período, já que as empresas exportadoras, que se beneficiam com a desvalorização da moeda brasileira, compensaram parte do declínio das ações das corporações que dependem da demanda interna.

"A queda da MRV chama muito a nossa atenção", disse por telefone o analista do JPMorgan Marcelo Motta, que tem classificação overweight (tendência de desempenho acima do mercado) para a ação. "A empresa está mais blindada da volatilidade macroeconômica" do que outras construtoras que se concentram na classe média, disse, acrescentando que a companhia deverá continuar registrando vendas "fortes" devido à estabilidade do índice de desemprego.

Apesar de nenhuma das suas três empresas estar reduzindo investimentos ou postos de trabalho -- pelo contrário, diz ele --, Menin acompanha a eleição presidencial de perto para tomar uma decisão de longo prazo. Ele está preocupado com a desilusão dos brasileiros em relação aos políticos e com a ascensão de candidatos extremistas, que tendem a segregar uma sociedade já dividida. Quase um terço dos eleitores entrevistados na última pesquisa do Datafolha afirmou que não planeja votar em ninguém (embora o voto seja obrigatório no Brasil). O ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro, um conservador linha-dura, lidera as pesquisas com 19 por cento das intenções de voto se excluído o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso e provavelmente será impedido de concorrer.

"Eu vou ser muito franco. Tenho muito medo disso", disse. "Mas tendo a acreditar que essa eleição não começou ainda. Vamos esperar a Copa do Mundo acabar. Talvez uma vitória no futebol possa ser o início dessa reviravolta de união do Brasil que a gente está precisando."

--Com a colaboração de Erick Costa.

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