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Índia procura combustível nuclear trilionário na Lua

Anurag Kotoky

27/06/2018 13h04

(Bloomberg) -- O programa espacial da Índia quer chegar aonde nenhum país esteve -- no lado sul da Lua. Lá, estudará o potencial de mineração de uma fonte de energia nuclear livre de resíduos que poderia valer trilhões de dólares.

A agência indiana equivalente à Nasa lançará um rover em outubro para explorar o território virgem da superfície lunar e analisar amostras da crosta em busca de sinais de água e hélio-3. Esse isótopo é limitado na Terra, mas tão abundante na Lua que teoricamente poderia atender às demandas globais de energia por 250 anos se aproveitado.

"Os países que tiverem a capacidade de trazer esse material da Lua para a Terra comandarão o processo", disse K. Sivan, presidente da Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO, na sigla em inglês). "Eu não quero só estar entre eles, quero liderá-los."

A missão consolidaria a posição da Índia no grupo de exploradores que correm para a Lua, Marte e outros lugares atrás de ganhos científicos, comerciais ou militares. Os governos dos EUA, China, Índia, Japão e Rússia competem com startups e com os bilionários Elon Musk, Jeff Bezos e Richard Branson para lançar satélites, aterrissadores robóticos, astronautas e turistas ao cosmos.

O pouso de um rover faz parte de uma série de passos vislumbrados pela ISRO, que incluem a colocação de uma estação espacial em órbita e, possivelmente, uma tripulação indiana na Lua. O governo ainda não definiu nenhum prazo.

"Estamos prontos e esperando", disse Sivan, engenheiro aeronáutico que entrou na ISRO em 1982. "Nós nos equipamos para assumir este programa em particular."

A China foi o único país a colocar um aterrissador e um rover na Lua neste século com a missão Chang'e 3, em 2013. O país planeja voltar ainda neste ano enviando uma sonda para o lado inexplorado.

Nos EUA, o presidente Donald Trump assinou uma ordem oficial solicitando que os astronautas viajem novamente à Lua e o orçamento de US$ 19 bilhões proposto pela Nasa para este ano fiscal contempla o lançamento de um orbitador lunar no início da década de 2020.

O orçamento estimado da ISRO é de menos de um décimo disso -- cerca de US$ 1,7 bilhão --, mas a marca registrada da agência desde a década de 1960 é realizar façanhas a baixo custo. A próxima missão custará cerca de US$ 125 milhões -- menos de um quarto da remuneração do cofundador da Snap, Evan Spiegel, no ano passado, a mais alta entre executivos de empresas de capital aberto, segundo o Bloomberg Pay Index.

Esta não será a primeira missão lunar da Índia. A espaçonave Chandrayaan-1, lançada em outubro de 2008, completou mais de 3.400 órbitas e ejetou uma sonda que descobriu moléculas de água na superfície pela primeira vez.

O próximo lançamento, da Chandrayaan-2, inclui um orbitador, um aterrissador e um rover retangular. O veículo de seis rodas movido a energia solar coletará informações durante pelo menos 14 dias e cobrirá uma área de 400 metros de raio.

--Com a colaboração de Debjit Chakraborty.

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