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Wall Street transforma odontologia em corrida do ouro nos EUA

William Mathis e Tom Metcalf

28/06/2018 13h01

(Bloomberg) -- Um dos dentistas mais ricos dos EUA não atende pacientes há mais de duas décadas.

Richard Workman, 63, deixou de exercer a profissão em 1996 para transformar sua empresa, a Heartland Dental, em uma espécie de Walgreens do setor de odontologia. Ele comprou um consultório odontológico atrás do outro, e hoje, com mais de 800 em 36 estados, a Heartland é a maior empresa de gestão odontológica dos EUA.

O império construído por Workman chamou a atenção da KKR & Co. Em abril, a potência de private equity comprou uma participação de 58 por cento que avaliou a Heartland em US$ 2,8 bilhões, a mais recente de uma série de aquisições no setor. Outras empresas de investimentos de Wall Street - da Leonard Green & Partners à Ares Management - também estão abocanhando empresas de odontologia para tentar criar suas próprias megarredes.

"É uma espécie de corrida do ouro", disse Stephen Thorne, CEO da Pacific Dental Services. "Algumas dessas empresas de private equity acham que este negócio é mais fácil do que ele realmente é."

O óxido nitroso que alimenta o furor é o crédito. A Heartland já era uma empresa com nota de grau especulativo, com uma dívida de 7,4 vezes os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização em julho do ano passado. A aquisição da KKR elevou essa taxa a cerca de 7,9, segundo a Moody's Investors Service, que considerou os níveis de alavancagem da empresa "muito altos".

O apetite dos investidores era tão grande que eles aceitaram condições indulgentes para fornecer US$ 1 bilhão em empréstimos alavancados que financiaram a transação, e investir na dívida se tornou ainda mais arriscado.

A odontologia corporativa foi alvo de críticas por fomentar procedimentos desnecessários ou caros. Mas as empresas de private equity afirmam que se sentem atraídas pelas eficiências que as redes podem proporcionar a consultórios odontológicos individuais, que hoje exigem um marketing sofisticado e tecnologia cara. O mercado total para serviços odontológicos é enorme: US$ 73 bilhões em 2017, segundo o banco de investimento Harris Williams & Co. Empresas como a Heartland pagam aos dentistas e cuidam de tudo o mais, o que inclui propagandas, contratação de pessoal e equipamentos.

Menos de 10 por cento dos dentistas estão afiliados a consultórios financiados por corporações, segundo a American Dental Association, portanto os simpatizantes antecipam muito mais consolidação e investimentos privados.

Thorne, fundador e CEO da Pacific Dental, que tem mais de 600 consultórios em 20 estados, não está convencido. Ele não tem aceitado investimentos de private equity porque diz que quer manter o controle. Mas também está preocupado, porque uma participação de private equity implicaria contrair muita dívida.

"Pode ocorrer uma desaceleração econômica, uma mudança no ambiente regulatório ou sabe-se lá o que poderia acontecer", disse Thorne. "Cumprir os requisitos dessa dívida poderia ficar complicado."

--Com a colaboração de Sally Bakewell.

Repórteres da matéria original: William Mathis em N York, wmathis2@bloomberg.net;Tom Metcalf em N York, tmetcalf7@bloomberg.net

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