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Como Amazon pode entrar em mercado farmacêutico de US$ 300 bi

Robert Langreth, Zachary Tracer e Jared S. Hopkins

29/06/2018 14h47

(Bloomberg) -- A Amazon.com está comprando sua entrada no negócio farmacêutico nos EUA. A pergunta agora é qual escala poderá alcançar.

A PillPack, uma startup farmacêutica que a Amazon está comprando por cerca de US$ 1 bilhão, atualmente se concentra em um restrito segmento de pacientes que tomam vários medicamentos diferentes. A empresa embala pílulas em pacotes individuais que ajudam as pessoas a se lembrarem de quando devem tomar seus medicamentos todos os dias, um desafio comum para pessoas que tomam, por exemplo, medicamentos para diabetes, colesterol alto e pressão sanguínea.

A PillPack conta com a infraestrutura básica que a Amazon necessita: licenças farmacêuticas para envio por correspondência em todos os 50 estados americanos, várias farmácias físicas e um call center. O analista Eric Coldwell, da Robert W. Baird & Co., chamou o acordo de "ataque frontal" ao setor farmacêutico.

"A iniciativa procura eliminar dois pontos dolorosos -- a ida à farmácia e a separação de vários medicamentos em doses", disse Kathy Hempstead, consultora sênior da Fundação Robert Wood Johnson. "A ampliação da escala dessa opção para a enorme rede de distribuição da Amazon pode ter grande potencial."

A seguir, quatro perguntas importantes sobre os planos da gigante do varejo on-line:

1. A Amazon conseguirá ampliar a escala?

A PillPack ainda é uma empresa de nicho em meio aos US$ 328,6 bilhões gastos com medicamentos com receita vendidos no varejo nos EUA. Atende apenas 40.000 clientes, segundo relatórios de analistas. A grande pergunta para a Amazon é até que ponto será possível expandi-la e com que rapidez.

"Não vejo razão para não conseguirem criar escala", disse Howard Deutsch, diretor da ZS Associates, empresa de consultoria em vendas e marketing que trabalha com empresas de saúde. "Posso imaginar um futuro em que digo 'Alexa, envie o medicamento Lipitor para mim'."

2. As empresas da cadeia de abastecimento de medicamentos atual reagirão?

É altamente provável.

O acordo ameaça a longo prazo empresas farmacêuticas do varejo como Walgreens Boots Alliance e CVS Health, que têm milhares de unidades nos EUA -- e cujas ações despencaram na quinta-feira após o anúncio do acordo. Seguradoras e gestoras de benefícios farmacêuticos como a Express Scripts Holding orientam os clientes para seus próprios negócios de pedidos por correio, com os quais a PillPack poderia competir.

3. Como a PillPack se encaixa nos outros planos da Amazon para a saúde?

A Amazon está trabalhando com a Berkshire Hathaway e o JPMorgan Chase em uma joint venture para melhorar os serviços de saúde de mais de 1 milhão de funcionários e membros da família para os quais fornecem cobertura. Embora não esteja claro que papel -- se tiver algum -- um serviço de venda sob receita da Amazon teria, o acesso a remédios baratos entregues por correspondência pode ser uma oportunidade.

4. A Amazon pode aproveitar sua rede de entregas?

Em teoria, os medicamentos poderiam ser enviados juntamente com qualquer outra coisa que a Amazon já vende. A empresa também poderia fechar acordos para oferecer copagamentos menores para membros do Amazon Prime. E com a compra da Whole Foods no ano passado, a empresa conta com uma rede de lojas físicas nas quais poderia, em teoria, estabelecer centros para retirada de medicamentos.

--Com a colaboração de Emily McCormick.

Repórteres da matéria original: Robert Langreth em N York, rlangreth@bloomberg.net;Zachary Tracer em Nova York, ztracer1@bloomberg.net;Jared S. Hopkins em N York, jhopkins38@bloomberg.net