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Venda de aviões pequenos soma US$ 26 bi em duelo Airbus-Boeing

Julie Johnsson e Benjamin D. Katz

19/07/2018 14h26

(Bloomberg) -- A disputa entre Airbus e Boeing pelo domínio do mercado de jatos menores já começa a esquentar, se a série de vendas na maior exposição do setor de aviação servir como parâmetro.

A Embraer, que tenta se combinar com a Boeing em um negócio de US$ 3,8 bilhões, teve seu melhor salão em cinco anos, com pedidos para 300 aviões, incluindo opções. Com isso, o valor chegou a US$ 15,3 bilhões antes dos descontos comuns em compras de aeronaves.

A Airbus interrompeu neste mês a seca de vendas da aeronave anteriormente conhecida como Bombardier C Series. A empresa recebeu um compromisso para 60 jatos de investidores que estão criando uma nova empresa aérea americana. A encomenda igualou o pedido da JetBlue Airways feito em 10 de julho, dia em que a Airbus rebatizou o jato, que passou a ser a família A220. Combinados, os acordos são avaliados em cerca de US$ 10,8 bilhões.

"A Bombardier vendeu 400 e poucos aviões em 10 anos. Nós vendemos 120 em cerca de uma semana e venderemos mais", disse o CEO da Airbus, Tom Enders, em conferência, na quarta-feira.

Os números rivais anunciam o confronto iminente entre as duas maiores fabricantes de aviões do mundo no ramo de jatos com menos de 150 assentos. O mercado vinha sendo ofuscado nas últimas duas décadas porque as empresas aéreas buscavam aeronaves de corredor único cada vez maiores para transportar passageiros, mas agora a Airbus e a Boeing estão entrando em campo e prometendo reduzir os custos de fornecimento. Se tiverem sucesso -- e os preços caírem --, as vendas devem decolar.

Joint venture

Boeing e Embraer não esperam finalizar seu complexo acordo até o fim de outubro, e a expectativa é que a transação seja concluída apenas no fim do ano que vem. As equipes de vendas não poderão comercializar a aeronave em conjunto enquanto a combinação não for aprovada pelos órgãos reguladores, mas a Boeing já vê uma oportunidade.

"Ao comparar as despesas de materiais deles com as nossas, vemos uma oportunidade", disse Greg Smith, diretor financeiro da Boeing, em entrevista. "Obviamente isso nos ajudará a vender essas aeronaves no mercado."

A fabricante de aviões com sede em Chicago estuda também formas de tirar outros benefícios da união. A Embraer tem muitos engenheiros talentosos, famosos por seu conhecimento sobre o design de aeronaves. E a experiência da empresa brasileira na fabricação de alguns componentes, como trens de pouso, pode ajudar a expandir uma iniciativa da Boeing para realizar internamente uma fatia maior das tarefas que estão a cargo dos fornecedores.

Para Smith, o relacionamento reforça a capacidade de fabricação da Boeing ao fomentar a concorrência e oferecer redundância em casos em que a gigante industrial depende de um único fornecedor. "Isso nos dá uma flexibilidade que não temos", disse.

O presidente da divisão de aeronaves comerciais da Embraer, John Slattery, acredita que o acordo com a Boeing será finalizado antes do previsto, o que permitiria que as fabricantes de aviões começassem a coordenar seus esforços de vendas.

"Eu ficaria muito decepcionado se a execução demorasse um ano e meio", disse Slattery, em entrevista.

--Com a colaboração de Frederic Tomesco e Fabiola Moura.

Repórteres da matéria original: Julie Johnsson em Chicago, jjohnsson@bloomberg.net;Benjamin D. Katz em London, bkatz38@bloomberg.net