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Como projetar interior de iates que custam milhões de dólares

Cator Sparks

24/07/2018 14h27

(Bloomberg) -- Se você já ouviu algum designer de interiores explicar como e por que projetou um ambiente, ou se já projetou algo por conta própria, você sabe que o processo de design não se resume à cor das tintas e a tapetes felpudos. É preciso atender a necessidades, considerar perspectivas e resolver problemas.

Projetar um superiate leva tudo isso a outro nível: quando foi que uma mansão multimilionária balançou sobre as ondas?

Achille Salvagni, um designer italiano famoso por seu premiado trabalho em residências de luxo, tanto em terra quanto na água, conta sobre o processo de elaboração de três de seus projetos de navegação: o Azimut Grande 27 Metri de 88 pés; o Aurora, uma embarcação com 164 pés de US$ 27 milhões da Rossinavi; e o Numptia, um superiate ainda maior, também da Rossinavi. Salvagni trabalha com materiais magníficos, incluindo mogno, jacarandá, ônix, bronze e ouro, e recorre a artesãos habilidosos para dar vida a seus projetos - e superar as limitações do espaço da maneira mais elegante possível.

"Eu projeto a partir da carcaça de um edifício ou barco e crio absolutamente tudo, da parede ao teto, das maçanetas às dobradiças", diz Salvagni. "Você não pode mudar as paredes de um iate como em uma casa, então tenho que criar um ambiente confortável a partir de uma estrutura predeterminada e desconfortável."

Ele continua: "Cada móvel que eu crio tem uma história. Eles não são feitos simplesmente para atender a uma encomenda, eles são mais um retrato único de uma pessoa ou de um casal".

Abaixo, confira alguns problemas do design de interiores comuns em iates e como Salvagni os resolveu.

Problema: Mar agitadoÉ sempre um problema lidar com elementos independentes em um iate. Salvagni diz que os principais aspectos que você precisa resolver com os objetos são a leveza e a estabilidade, por isso, ele decidiu projetar para o Azimut um abajur que faz parte de uma cômoda. "Essa 'luminária crescente' evoca a suavidade de um galho que cresce naturalmente, e o galho conecta a lâmpada à cômoda, para impedir que ela escorregue", diz ele.

Problema: Ambientes com formatos estranhosQuando Salvagni estava projetando um quarto do Aurora, ele se deparou com duas inclinações (devido a duas grandes vigas) que interferiam com a localização das cômodas. A solução que ele encontrou foi fazer duas "asas" de couro para que a interrupção parecesse intencional. "A partir dessas asas, o couro se curva para revestir a parte de cima das cômodas, e adicionei detalhes elegantes de bronze", diz ele.

Problema: Elementos estruturais intrusivos"Neste caso, o problema era uma enorme coluna no meio do ambiente", diz Salvagni, referindo-se ao quarto principal do Numptia, "então, ao invés de escondê-la, nós a destacamos, revestindo-a com teca escovada e integrando-a ao teto". O resultado é quase semelhante a uma árvore e, ao revestir o restante do quarto em teca, isso unifica o espaço com suavidade, de acordo com o designer.