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Nova lei pode reduzir à metade reservas do Airbnb em Nova York

Olivia Zaleski

24/07/2018 14h32

(Bloomberg) -- Na semana passada, o Airbnb sofreu um dos piores abalos de seus 10 anos de história: os membros do Conselho da Cidade de Nova York decidiram em votação exigir que a empresa de aluguel de residências divulgue o nome e o endereço de seus anfitriões na cidade. As autoridades afirmaram que precisam dessas informações para policiar os anfitriões do Airbnb que operam ilegalmente e elevam o preço dos aluguéis nos bairros. O Airbnb afirmou que o projeto de lei representa uma violação insensata da privacidade dos usuários.

A nova legislação reduziria drasticamente as reservas do Airbnb em Nova York, porque a cidade promete usar os dados para tomar medidas contra os aluguéis residenciais de curto prazo. O Airbnb fica com cerca de 15 por cento da receita das reservas, a quantia paga pelos usuários para alugar casas e apartamentos na plataforma. O Airbnb e seus anfitriões devem gerar cerca de US$ 140 milhões em reservas brutas neste ano em Nova York, disseram pessoas a par do assunto. Projeta-se que esse número cairá no mínimo à metade quando a nova lei entrar em vigor, em janeiro, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque os detalhes financeiros são privados.

O baque seria pequeno em comparação com a receita obtida pelo Airbnb com reservas em todo o mundo, mas o projeto de lei põe em dúvida as perspectivas de crescimento do Airbnb à medida que mais cidades adotarem uma postura mais dura em relação ao aluguel de residências. A gigante do Vale do Silício deve gerar cerca de US$ 3,6 bilhões em reservas globalmente neste ano, disseram as pessoas. A empresa foi avaliada pelos investidores em US$ 31 bilhões.

Se o projeto de lei de Nova York for sancionado, conforme esperado, órgãos reguladores em todo o mundo que desconfiam do Airbnb poderiam ganhar uma estratégia simples de copiar para tentar limitar a influência da empresa, disse Scott Shatford, CEO da empresa de análise do setor hoteleiro AirDNA. "Agora, outras cidades verão que os dados são fundamentais para aplicar a lei", disse Shatford. "A partir de agora, vai ser um efeito dominó."

O Airbnb não concorda com a previsão de Shatford, de que a nova lei inspiraria outras cidades a adotar uma postura mais agressiva em relação às regulamentações. "A cidade de Nova York é uma exceção, porque o Conselho da Cidade de Nova York é um subsidiário exclusivo do setor hoteleiro, e eles não estão interessados em trabalhar juntos", disse Chris Lehane, diretor de política global do Airbnb. Segundo um relatório da empresa, 15 dos 51 membros do conselho municipal receberam doações do setor hoteleiro e de associações afins.

O Airbnb enfrenta resistência de órgãos reguladores em Amsterdã, em Santa Mônica, na Califórnia e em Reykjavík, na Islândia, entre outros destinos turísticos populares. Contudo, nem todas as cidades se opõem ao recente auge dos aluguéis de curto prazo pela internet. O Airbnb afirmou que cidades na China, na Índia, na Austrália e em Cuba apoiam ativamente o uso da plataforma, porque ela facilita a vida dos turistas. Shatford acredita que a potencial perda do Airbnb em Nova York poderia ser compensada rapidamente pela China, um dos mercados de maior crescimento para o Airbnb.