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Mulher que escolhe membros do BOE diz não se importar com gênero

Lucy Meakin e Jessica Shankleman

27/07/2018 14h37

(Bloomberg) -- Uma das principais autoridades envolvidas na escolha dos responsáveis pela formulação de políticas do Banco da Inglaterra rejeitou as críticas de que o banco central tem poucas mulheres no alto escalão.

A chefe da assessoria econômica do Tesouro britânico, Clare Lombardelli, disse que o comitê que supervisiona seu departamento e o Banco da Inglaterra (BOE, na sigla em inglês) estão "certos em questionar, pressionar e desafiar" a composição dos comitês de políticas da autoridade monetária, mas que o foco no gênero é exagerado.

"Diversidade não se resume a gênero", disse. "É possível ter um grupo cheio de mulheres com formação similar às pessoas que já integram o comitê e a instituição continuaria pensando de forma muito similar."

As acusações de "mentalidade de grupo dominante" e de falta de diversidade nos níveis mais elevados perseguiram o BOE nos últimos anos apesar das metas ambiciosas e do apoio sonoro do presidente do banco, Mark Carney, a uma variedade maior. As nomeações para os comitês de políticas são feitas pelo governo, e não internamente, e no mês passado o Comitê do Tesouro renovou as críticas à falta de mulheres desempenhando esses papéis.

"O mais importante para mim é a diversidade de pensamento, e isso tem a ver com as diferentes experiências, com as diferentes abordagens e com as diferentes origens", disse Lombardelli. "Fico um pouco frustrada quando o foco é apenas o gênero, embora não negue a existência do problema."

Tanto o comitê de política monetária, com nove membros, quanto o de estabilidade financeira, com 13, contam atualmente com apenas uma mulher. Uma das primeiras tarefas de Lombardelli ao começar no cargo foi formar o painel entrevistador de três pessoas que selecionou Jonathan Haskel como membro externo do comitê de política monetária, em maio, em detrimento de quatro candidatas.

A escolha levou parlamentares a questionar se a diversidade, e, em particular, o equilíbrio entre gêneros, têm prioridade suficiente no processo de recrutamento -- assunto que pode receber um escrutínio ainda maior quando o chanceler iniciar a busca pelo sucessor de Carney, que deixará o cargo no ano que vem.

"Existem muitas economistas extremamente capazes que poderiam estar no comitê de política monetária e fazer um trabalho realmente fantástico", disse. "Mas nós escolheremos mulheres por serem os melhores candidatos. Não as escolheremos por serem mulheres."

O economista-chefe do BOE, Andy Haldane, entrou no debate na semana passada ao escrever no Financial Times que as organizações têm uma definição muito limitada de quem é a "melhor pessoa para o cargo" e, assim, tendem a escolher candidatos semelhantes à equipe atual.

Para Lombardelli, encarregada de selecionar as pessoas certas para guiar a economia britânica em um momento em que esta enfrenta a perturbação sem precedentes da saída da União Europeia, trata-se também de uma questão de credibilidade.

"A questão é o que os candidatos trariam para o comitê, qual é a abordagem que adotam em relação ao assunto em discussão, ao entendimento dos problemas e à economia para a qual as taxas de juros são definidas. Todos devem ser indicados por sua capacidade e ninguém deve questionar isso."

Repórteres da matéria original: Lucy Meakin em London, lmeakin1@bloomberg.net;Jessica Shankleman em Londres, jshankleman@bloomberg.net