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Projeto de ilha flutuante avança sem apoio de Peter Thiel

Lizette Chapman

30/07/2018 15h00

(Bloomberg) -- No passado, o bilionário libertário Peter Thiel defendeu e financiou os planos de criação de uma rede de ilhas artificiais que flutuariam no oceano e operariam como ecotopias de alta tecnologia e sem governos. Agora que um empreendimento de destaque está levantando uma nova rodada de financiamento e estabelecendo prazo até 2021 para implementar as primeiras ilhas, o investidor já não está a bordo.

O projeto, chamado Blue Frontiers, arrecadou US$ 1,4 milhão neste mês por meio de uma pré-venda de tokens digitais que daria aos compradores o direito de residir nas futuras ilhas e um voto para o estatuto. Thiel não comprou nenhuma moeda e não contribui para a iniciativa desde 2014. A Blue Frontiers ainda não conseguiu chegar nem perto da quantia de dinheiro ou de apoio governamental necessária para tirar o projeto do papel. Uma pessoa familiarizada com a forma de pensar de Thiel disse que ele ajudou a lançar a iniciativa por meio de uma doação caritativa e que reduziu o apoio por acreditar que o projeto comercial precisa ser autossustentável para funcionar.

Thiel, um capitalista de risco e diretor do Facebook que é dono de uma fortuna de US$ 3,3 bilhões, apoiou um leque variado de apostas nos últimos anos, incluindo a eleição de Donald Trump, uma ação judicial secreta que levou um blog de fofocas à falência e um programa chamado Thiel Fellowship, destinado a pagar estudantes universitários para que abandonem os estudos para abrir empresas ou criar movimentos sociais. Polêmico declarado, ele nem sempre se mantém fiel às causas que abraça. Depois que Trump conquistou a presidência, Thiel ajudou a equipe de transição durante três meses, mas depois se distanciou de Washington.

Em 2008, Patri Friedman começou a estudar a viabilidade de ilhas flutuantes e autônomas. Friedman, 41, é neto do falecido Milton Friedman, um economista ganhador do Prêmio Nobel que foi conselheiro do então presidente americano Ronald Reagan. O Friedman mais jovem, teórico político e engenheiro de software, criou o Seasteading Institute para realizar pesquisas científicas e de engenharia com algum dinheiro de Thiel.

Um ano mais tarde, Thiel alardeava os benefícios do chamado "seasteading" -- uma sociedade autossuficiente em mar aberto -- na conferência do instituto, em São Francisco, onde o descreveu como "uma das poucas fronteiras tecnológicas que prometem criar um novo espaço para a liberdade humana". Thiel gostou tanto da ideia que levou alguns colegas e amigos mais próximos para o conselho da organização sem fins lucrativos. Dois diretores da Mithril Capital, o fundo de crescimento de risco de Thiel, dois representantes da Thiel Foundation e Joe Lonsdale, um ex-funcionário do PayPal que criou a empresa de mineração de dados Palantir Technologies com Thiel, atuaram como diretores do Seasteading Institute.

Mas, segundo as declarações de imposto de renda da organização sem fins lucrativos, o último ano de Thiel no conselho foi 2011. No ano passado, Thiel desconsiderou completamente o conceito de seasteading. "Eles não são muito viáveis do ponto de vista da engenharia", disse ele ao New York Times.

Mais de 1.000 candidatos a colonos de cinco continentes, incluindo o fundador da TechCrunch, Michael Arrington, compraram tokens na oferta inicial de moedas da Blue Frontiers, que terminou em 14 de julho. As notas, chamadas Varyon, são inspiradas no ethereum, uma popular criptomoeda de coautoria de um membro da Thiel Fellow.