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Megaprojetos de petróleo retornam após US$ 80 bi em custo extra

Dan Murtaugh

14/08/2018 12h31

(Bloomberg) -- Os investidores estão prestes a descobrir se as maiores petroleiras do mundo aprenderam a lição com os US$ 80 bilhões em custos extras em grandes projetos durante a era do barril de petróleo a US$ 100.

Do gás natural liquefeito em Moçambique ao petróleo em águas profundas na Guiana, as maiores empresas de energia do mundo se preparam para aprovar a primeira série de megaprojetos desde a queda dos preços de 2014, disseram analistas da Wood Mackenzie, incluindo Angus Rodger, em relatório. As empresas aprovarão cerca de US$ 300 bilhões em investimentos com empreendimentos desse tipo em 2019 e 2020, mais do que nos três anos entre 2015 e 2017 combinados.

Essa onda de investimentos representará o primeiro teste real da disciplina de capital que as empresas de energia juram ter adotado depois do colapso do petróleo, quando reduziram suas ambições e começaram a concluir projetos no prazo e dentro do orçamento. Antes da queda, os 15 maiores projetos de petróleo e gás combinados estouraram os orçamentos em US$ 80 bilhões, o que reduziu os retornos dos investidores, disse Rodger.

"As empresas de petróleo melhoraram os resultados em projetos pequenos, mas será que conseguirão fazer isso com projetos maiores?", disse Rodger, em entrevista por telefone, de Cingapura. "Há um enorme potencial de alta sobre a mesa caso consigam manter a disciplina de capital em meio à alta dos preços do petróleo. Elas poderiam fornecer os melhores retornos em uma década."

Orçamentos estourados

Os vários anos de preços do petróleo na casa dos US$ 100 no início desta década estimularam as empresas a assumir projetos enormes e complicados para extrair o máximo possível de petróleo e gás valiosos, disse Rodger. Isso incentivou desenvolvimentos como o projeto Gorgon LNG, da Chevron, na remota Ilha de Barrow, na Austrália Ocidental, onde os custos subiram dos US$ 37 bilhões esperados inicialmente para US$ 54 bilhões.

Os custos excedentes dos projetos aprovados de 2008 a 2014 diluíram os retornos para 12 por cento em média, contra 19 por cento esperados no momento do investimento, segundo a Wood Mackenzie.

"As petroleiras já tinham um histórico de má gestão de projetos, e a posterior adição do petróleo a US$ 100 foi como jogar gasolina no fogo", disse Rodger. "Os custos saíram de controle."

Esses retornos fracos e a queda dos preços do petróleo, que começou em 2014, forçaram as empresas de energia a repensar a forma de investir. Elas começaram a buscar campos menores ou expansões de projetos existentes, que eram mais baratos e poderiam ser concluídos mais rapidamente. Os campos aprovados desde 2014 foram entregues, em média, antes do prazo e com custo abaixo do orçamento, informou a Wood Mackenzie.

Apesar de a escassez de megaprojetos ter contribuído para a recuperação dos preços da energia, sendo que o petróleo e o GNL retornaram aos níveis mais elevados desde 2014 neste ano, os grandes investimentos voltaram a ser necessários, disse Rodger. Só não se sabe se a disciplina de custo aplicada pelas empresas de energia nos projetos menores poderá ser replicada em uma escala muito maior.