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Alto executivo de Cingapura dispensou seus próprios serviços

Livia Yap

15/08/2018 12h31

(Bloomberg) -- Koh Boon Hwee superou grandes crises durante sua carreira de quatro décadas como executivo corporativo. Ele comandou uma companhia aérea nacional durante a epidemia de SARS em 2003 e dirigiu o maior banco do Sudeste Asiático após o colapso do Lehman Brothers.

Mas, para o veterano empreendedor, empresário e investidor do setor tecnológico de Cingapura, o mais difícil sempre foi demitir funcionários.

"As pessoas ficam sem energia ou permitem que sejam deixadas para trás", disse Koh, que presidiu o conselho de algumas das empresas mais emblemáticas de Cingapura antes de se tornar financista, em uma entrevista na cidade-estado. "Preciso falar com essa pessoa e, essencialmente, remover essa pessoa daquele trabalho. Sempre tenho dificuldade com isso."

Por mais difícil que seja demitir os outros, a tarefa é duas vezes mais árdua quando a pessoa em questão é você mesmo. Esse sentimento ajuda a explicar por que a sucessão empresarial é um problema tão grande em Cingapura, onde mais de 60 por cento das empresas de capital aberto são de propriedade familiar e a transição para novas lideranças não é frequente. Essa questão está ganhando urgência ultimamente, porque a geração do baby boom, nascida nos anos após a Segunda Guerra Mundial, está chegando à idade em que deseja se aposentar.

O problema é tão grave que o planejamento da sucessão se configurou como um setor em Cingapura e em outros lugares da Ásia, e todos, dos fundos de private equity aos consultores de fusões e aquisições, estão competindo para ajudar as empresas na transição para a próxima geração.

Abandonar o cargo

No entanto, esta nunca foi uma preocupação para Koh, que colocou em prática o que prega em uma das primeiras empresas que ele fundou.

Na Sunningdale Tech, que fabrica e vende componentes de plástico para produtos médicos, de consumo e automotivos, Koh abandonou o cargo depois de quatro anos no comando em 2008, aos 58 anos de idade. A transição foi tranquila, a julgar pelo preço das ações da empresa. Elas mais que quadruplicaram desde então, em comparação com um aumento de 68 por cento para o Straits Times Index.

"Eu estou ligado à empresa, mas estar ligado a uma empresa significa que você quer que ela seja sempre o seu melhor", disse Koh, que agora atua como presidente não-executivo, afastado da administração cotidiana da empresa. "E, com o passar do tempo, você quer pessoas mais jovens com ideias mais atualizadas."

De fato, Koh fala sobre renunciar ao comando como se isso fosse a coisa mais comum do mundo.

"Hoje, a administração da Sunningdale é completamente profissional", disse ele. "A equipe de gestão é totalmente profissional e totalmente competente."

Mas, embora tenha se distanciado da Sunningdale, ele não cortou completamente os laços. Ele continua presidindo o conselho, onde, segundo ele, frequentemente discute maneiras de garantir que a empresa não seja deixada para trás.

"Eu sempre achei que o modo certo de gerenciar uma organização é colocar as melhores pessoas para fazer esse trabalho", disse ele sobre a mudança na liderança. "Eu trabalhei a maior parte de minha carreira em empresas geridas profissionalmente, por isso foi [uma decisão] natural." Quanto a ele, "sempre haverá outra coisa para fazer".