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Family offices chegam à Rússia para ajudar a próxima geração

Alexander Sazonov

16/08/2018 14h50

(Bloomberg) -- Os russos mais ricos guardavam seus ativos a sete chaves desde o colapso da União Soviética, defendendo o patrimônio de rivais e burocratas.

Agora eles são pressionados a ceder algum controle, enquanto preparam a transferência de fortunas para herdeiros. Executivos que tocam os negócios desses indivíduos também pedem que seus patrões profissionalizem a gestão dos recursos.

"Mesmo cinco ou sete anos atrás, a principal tarefa era proteger os ativos e não administrá-los de maneira eficaz", disse o confundador da Confideri, Marat Savelov, que trabalha em Cingapura e trabalha com famílias russas.

Atualmente, existem no país aproximadamente 100 family offices que servem apenas uma família e cerca de 20 que servem mais de uma família, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Essas firmas costumam cuidar de investimentos, impostos, planejamento de herança e até de questões pessoais, como viagens e educação. Dezenas de family offices serão criados nos próximos cinco anos, prevê Andrey Narutskiy, diretor-gerente da Leon Family Office, sediada no Chipre e fundada em 2013 para servir clãs de patrimônio ultra-alto.

'Uma bagunça'

Alguns dos russos mais abastados já criaram essas instituições. Ruben Vardanyan, presidente do Centro de Transformação de Fortuna Skolkovo, foi pioneiro ao abrir a Quinta Capital Partners, em 2002.

Os magnatas russos - quase todos homens - se concentraram no acúmulo de ativos e costumam não separar suas propriedades pessoais dos ativos de suas empresas em termos de gestão e estrutura corporativa.

"Muito frequentemente é uma bagunça", disse a cofundadora da Confideri, Olga Raykes.

Não foi dada muita atenção à transferência de patrimônio para a próxima geração, uma vez que essas fortunas foram erguidas há pouco tempo, desde o colapso da União Soviética. Já nos EUA e Europa Ocidental, há famílias que administram suas fortunas por meio de family offices há várias gerações. Os Rockefeller montaram uma firma do tipo no século 19.

A fortuna somada dos 23 russos que constam do Bloomberg Billionaires Index (nosso ranking das 500 pessoas mais ricas do mundo) chega a US$ 253 bilhões. Pelo menos 189.500 indivíduos de patrimônio ultra-alto vivem no país e controlam aproximadamente US$ 1,1 trilhão, segundo estimativas da Capgemini.

Cerca de 60.000 empresários precisarão pensar em como transferir seus ativos nos próximos anos, o que aumentará a demanda por serviços para facilitar essa transição, disse Narutskiy.

"Quando faz 50 anos, o sujeito se dá conta de que tem uma carteira complexa de ativos e que não há qualquer clareza sobre como passar a propriedade e a gestão para a próxima geração", disse Roman Reshetyuk, sócio de Narutskiy na Leon. Os clientes também estão interessados em alocar mais dinheiro para caridade e envolver seus filhos em projetos filantrópicos.

Quando montam family offices, os russos se mostram conservadores.

"Noventa por cento dos nossos clientes querem a carteira mais líquida" e não investimentos que imobilizam o dinheiro por 5 ou 7 anos, disse Marat Savelov, da Confideri.

'Enorme pressão'

As sanções impostas à Rússia após a anexação da Crimeia são outra fonte de preocupação e regulamentos mais rígidos obrigam bancos e investigar sua base de clientes."Cidadãos russos de patrimônio elevado enfrentam enorme pressão por causa das sanções", disse Savelov. "Rússia é sinônimo de toxicidade no momento."

--Com a colaboração de Ben Stupples.