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Endividada, HNA reforça controle familiar após morte de líder

Bloomberg News

20/08/2018 12h39

(Bloomberg) -- O presidente do conselho da HNA Group, Chen Feng, promoveu dois parentes a cargos elevados, reforçando o controle que a família exerce sobre o problemático conglomerado chinês após a morte súbita de um de seus principais executivos.

Seu filho foi promovido a vice-diretor-presidente e será responsável pelos negócios internacionais da HNA, de acordo com pessoas com conhecimento da decisão. No início do mês, Feng, de 65 anos, alçou o sobrinho ao cargo de diretor de investimentos e presidente-executivo da divisão de investimentos.

Chen tenta restaurar a confiança de bancos, investidores e autoridades em um dos grupos empresariais mais endividados da China. No final de dezembro, a dívida passava de US$ 85 bilhões. A morte do copresidente do conselho Wang Jian no mês passado abalou o plano de normalização da empresa. Ele era considerado o mentor das aquisições de muitos dos ativos que estão sendo vendidos agora.

A HNA liderou um movimento sem precedentes de aquisições por empresas chinesas, que abocanharam ativos notáveis ao redor do mundo. No ano passado, o governo chinês começou a conter essas empreitadas, à medida que o endividamento corporativo foi ficando insustentável.

Órgãos reguladores nos EUA e Europa também ficaram de olho na companhia, questionando sua estrutura societária.

O vice-diretor-presidente nomeado neste mês é Daniel Chen, filho de Chen Feng. Ainda em junho, ele havia sido promovido a assistente do falecido copresidente do conselho. Antes disso, Daniel Chen comandou a HNA North America. Neste mês, ele e o primo foram colocados no conselho de administração da Swissport Group, empresa de manuseio de bagagens comprada pela HNA em 2015. Adam Tan segue na presidência da unidade.

O sobrinho se chama Chen Chao em chinês e também é conhecido como Dennis Chen. No começo de agosto, a HNA nomeou Dennis diretor de investimentos e o promoveu a presidente-executivo do conselho da divisão de investimentos.

O comunicado da empresa não mencionou o parentesco dele com o presidente do conselho e a HNA se recusou a fazer comentários adicionais.

Segundo o prospecto de uma emissão de títulos do ano passado, Dennis Chen tem aproximadamente 35 anos, mais de 11 anos de experiência como gestor e é formado em Economia pela Universidade de Massachusetts. Ele ocupou diversos cargos na HNA Group International, unidade montada em Hong Kong em 2010 para atuar como braço de investimento offshore e capital estrangeiro do conglomerado chinês, segundo o documento.

Embora não seja incomum a promoção de familiares a posições executivas na Ásia, a HNA deveria ser mais transparente em relação a situações de parentesco, especialmente quando envolvem subsidiárias que têm títulos de dívida em circulação, afirmou Ricky Tam, presidente do Instituto de Investidores de Hong Kong, que se dedica a proteger os direitos da categoria.

A família Chen enfrenta pressões que vão muito além da governança. A HNA está tão endividada que as despesas com juros bateram recorde, em 32,1 bilhões de yuans (US$ 4,7 bilhões) em 2017, superando seu lucro e as despesas com juros de todas as empresas não financeiras da Ásia. Para lidar com o endividamento, a companhia vendeu mais de US$ 17 bilhões em ativos neste ano. Recentemente, a direção concordou em vender a rede hoteleira Radisson e uma participação em uma firma irlandesa de leasing aéreo por US$ 2,2 bilhões, além de estar negociando a venda de uma fatia da Swissport.

To contact Bloomberg News staff for this story: Prudence Ho em Hong Kong, pho83@bloomberg.net;Yan Zhang em Pequim, yzhang1044@bloomberg.net