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Hospitais estão fechando as portas em áreas rurais dos EUA

Cristin Flanagan

21/08/2018 17h05

(Bloomberg) -- Fusões e aquisições talvez não impeçam o fechamento de hospitais nos EUA, especialmente em áreas rurais de difícil acesso, onde a tendência deve se acelerar.

Anualmente, aproximadamente 30 fecham as portas, de acordo com a Associação Americana de Hospitais. Pacientes que vivem longe de grandes cidades podem ter ainda menos escolhas, à medida que planos de saúde direcionam seus associados a prestadores de serviços online como Teladoc e clínicas de pronto-atendimento como as da rede MinuteClinic, pertencente à CVS Health.

Uma equipe de analistas do Morgan Stanley liderada por Vikram Malhotra estudou dados de aproximadamente 6.000 hospitais públicos e privados dos EUA e concluiu que 8 por cento correm risco de fechar e outros 10 por cento são considerados "fracos". Essa fraqueza foi definida a partir de critérios como margem de lucro, receita e taxa de ocupação. O grupo em risco de fechar foi formado a partir de indicadores como investimentos e eficiência.

O fechamento de unidades deve se acelerar dentro de 12 a 18 meses, prevê Malhotra.Os riscos se revelam após anos de fusões e aquisições no setor. A operação mais recente foi encabeçada ?pela Apollo Global Management, que acertou a compra da rede de hospitais rurais LifePoint Health por US$ 5,6 bilhões no mês passado. A Apollo se recusou a comentar sobre o acordo. A LifePoint tem até 22 de agosto para solicitar outros lances.

A consolidação entre outras companhias de saúde ? como a aquisição da seguradora Aetna planejada pela CVS ? também pode pressionar hospitais, porque as empresas que pagam pelos serviços médicos estão direcionando pacientes para centros onde eles não ficam internados.

Muitos hospitais têm amplas margens negativas e vão chegar a um ponto insustentável, segundo Spencer Perlman, analista da consultoria Veda Partners para políticas de saúde.

Hospitais em zonas rurais podem ter menos espaço para barganhar com administradoras de serviços médicos e frequentemente tratam pacientes mais pobres e idosos.

Suas margens também são corroídas por avanços tecnológicos que permitem a realização de cirurgias e exames de imagem fora dos hospitais, que "estão sendo comidos vivos por essas tendências de mercado", alertou Perlman.

Talvez o futuro venha tarde demais para fusões e aquisições. Potenciais compradores podem hesitar diante de empresas endividadas como Community Health Systems e Tenet Healthcare, que tentam vender unidades de pior desempenho para reduzir a alavancagem, disse Zachary Sopcak, do Morgan Stanley.

A luz no fim do túnel é que alguns hospitais estão se aprumando, afirmou Perlman. Algumas unidades de pronto-socorro estão se reestruturando na forma de clínicas sem aparato hospitalar completo, mas com departamentos de emergência. "Micro-hospitais", com até dez leitos, são outra tendência promissora.