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Estudo valida potencial de medicamento da Pfizer para o coração

Jared S. Hopkins e Bailey Lipschultz

27/08/2018 13h15

(Bloomberg) -- A carteira de produtos em preparação da Pfizer pode finalmente estar dando frutos.

Um novo estudo mostra que o risco de morte de pacientes com um transtorno raro que pode provocar insuficiência cardíaca diminuiu em 30 por cento após serem tratados com o tafamidis da Pfizer. Esta conclusão poderia dar à maior farmacêutica dos EUA mais um possível sucesso de vendas e enfrentar uma startup de biotecnologia que está comercializando seu próprio tratamento revolucionário para a mesma doença.

A Pfizer estima que 500.000 pacientes em todo o mundo tenham a doença conhecida como amiloidose cardíaca associada à transtirretina (TTR), mas que menos de 1 por cento foi diagnosticado. Os médicos também afirmam que esse transtorno apresenta uma prevalência maior que a informada. A Pfizer afirmou que nos EUA existem cerca de 50 centros equipados com diagnósticos para identificar pacientes, e a companhia projeta que esse número aumentará agora que os dados foram divulgados.

O tafamidis deve ser o primeiro de mais de uma dúzia de remédios que a empresa com sede em Nova York prometeu lançar nos próximos anos e que poderiam gerar mais de um US$ 1 bilhão em vendas anuais. Alguns analistas projetam que o remédio vai superar esse limiar em até cinco anos, e possivelmente antes, se mais pacientes com TTR forem identificados.

"Isso é muito, mas muito empolgante", disse Irina Sobol, diretora do programa de bolsas de estudo sobre insuficiência cardíaca avançada na Weill Cornell Medicine e no New York-Presbyterian, que não esteve envolvida no teste. "Espero que isso mude o padrão de atendimento. Os médicos ficarão entusiasmados e buscarão pacientes com esta doença, porque agora existem paradigmas claros para o tratamento."

Surpresa

Os dados do estudo, apresentados na conferência anual da Sociedade Europeia de Cardiologia em Munique e publicados nesta segunda-feira no New England Journal of Medicine, poderiam posicionar o remédio da Pfizer como um rival inesperado de um medicamento comercializado pela Alnylam Pharmaceuticals. Onpattro, o remédio da empresa com sede em Cambridge, Massachusetts, se tornou recentemente o primeiro medicamento com base na interferência do RNA aprovado nos EUA. Com um preço anual de US$ 450.000, Onpattro bloqueia temporariamente as mensagens transmitidas pelos genes defeituosos.

Uma maior conscientização dos pacientes e mais diagnósticos da doença podem ser lucrativos para a Pfizer. Greg Gilbert, analista do Deutsche Bank, estima que o remédio estará disponível comercialmente em 2020 e registrará mais de US$ 1 bilhão em vendas até seu quinto ano.

Esse futuro validaria as expectativas da empresa de contar com entre 25 e 30 medicamentos aprovados até 2022, dos quais cerca de metade poderia registrar vendas anuais superiores a US$ 1 bilhão. O CEO Ian Read disse que a Pfizer está preparada para crescer graças à força de sua carteira de produtos em preparação e não precisa de uma grande fusão ou aquisição para crescer.

"Este é um acontecimento de que a Pfizer vem falando muito quando apresenta sua carteira", disse Vamil Divan, analista do Credit Suisse.

--Com a colaboração de Michelle Fay Cortez.

Repórteres da matéria original: Jared S. Hopkins em N York, jhopkins38@bloomberg.net;Bailey Lipschultz em N York, blipschultz@bloomberg.net