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Fusões e aquisições no setor de lítio mostram otimismo com preço

David Stringer

28/08/2018 12h18

(Bloomberg) -- A contínua busca global por garantir projetos de desenvolvimento de lítio lança dúvidas sobre as projeções de que os preços cairão com a chegada de oferta nova ao mercado, segundo a produtora Galaxy Resources.

Para a Galaxy, que concluiu a venda de US$ 280 milhões em propriedades não desenvolvidas no noroeste da Argentina para a sul-coreana Posco, o forte interesse por negócios é um sinal de que investidores e outros integrantes do setor estão rejeitando as previsões pessimistas.

A empresa australiana recebeu "ofertas muito atraentes" para uma possível venda de uma participação no projeto Sal de Vida, também na Argentina, e reduziu a lista de dezenas de interessados a apenas sete, disse o diretor-gerente da empresa, Anthony Tse, em entrevista. A produtora e a assessoria JPMorgan Chase esperam fechar algum negócio neste ano, disse.

A chinesa Tianqi Lithium fechou acordo em maio para pagar US$ 4,1 bilhões por uma participação de 24 por cento na chilena SQM, a segunda maior produtora do setor, e a Ganfeng Lithium adicionou neste mês um projeto na Argentina. Na Austrália, a Mineral Resources espera receber ofertas em breve por uma participação minoritária em seu gigantesco depósito Wodgina.

Os negócios surgem em meio a projeções de alguns bancos e analistas, incluindo o Morgan Stanley e a Wood Mackenzie, de que os preços cairão como resultado da chegada de oferta adicional de matéria-prima de lítio de novas minas na Austrália.

"As transações no setor parecem contrariar essa tendência. Está sendo atribuído um forte valor a esses ativos", disse Tse por telefone. Os preços do carbonato de lítio e do hidróxido de lítio com qualidade para baterias, ou seja, de alta qualidade, continuarão acima de US$ 10.000 a tonelada pelo menos até 2025, disse. No mês passado, o Citigroup projetou que o material de carbonato de lítio entrará na faixa dos US$ 9.000 até 2024, embora espere preços maiores pelo hidróxido de lítio.

A oferta superará a demanda deste ano até meados da década de 2020, mas o temor em relação ao excesso de lítio foi exagerado, disseram os analistas James Frith e Logan Goldie-Scot, da Bloomberg New Energy Finance, em relatório, na semana passada. O mercado manterá o equilíbrio entre oferta e demanda porque os principais produtores continuam cautelosos em relação ao excesso de oferta e porque os projetos provavelmente enfrentarão atrasos.

A Orocobre, que vende materiais de lítio do norte da Argentina desde 2015, recebeu preços maiores neste ano fiscal, informou a produtora nesta terça-feira em balanço de resultados. Os preços menores nos mercados à vista da China não refletem o panorama global como um todo, nem os fortes fundamentos da demanda de longo prazo, segundo a empresa com sede em Brisbane, na Austrália.