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Como a soja dos EUA pode driblar tarifas e terminar na China

Jonathan Gilbert

29/08/2018 10h22

(Bloomberg) -- A soja americana ainda pode chegar à China sem pagar a tarifa de 25 por cento -- basta que faça um desvio de 8.850 quilômetros para passar pela Argentina.

Veja passo a passo como seria o negócio.

Etapa 1: Exportadores americanos

Os carregamentos de soja americana para a China estão caindo depois que o gigante asiático aplicou tarifas de 25 por cento aos grãos dos EUA -- um revés retaliatório em meio à efervescente guerra comercial. A China posteriormente recorreu à oferta do Brasil, mas o país sozinho não é capaz de saciar a sede dos asiáticos.

A vizinha Argentina, portanto, surge como opção.

Passo 2: Esmagadores argentinos

A incomum enxurrada de grãos dos EUA na Argentina poderia ser processada pela enorme indústria de esmagamento do país sul-americano e enviada à China como farelo de soja. A Argentina é a maior exportadora mundial de farelo, que é produzido a partir da semente oleaginosa esmagada e usado como ração animal.

Os grãos dos EUA estão chegando à Argentina depois que uma das piores secas em décadas prejudicou a produção no Pampa argentino. Processadoras como Cargill e Bunge estão ampliando a compra de oferta estrangeira para compensar o déficit.

A Argentina planejou até o momento a importação de 922.000 toneladas de grãos nesta temporada e na próxima. É o maior total em 20 anos.

Etapa 3: Porcos chineses

A China tradicionalmente evita comprar farelo, que é usado pelo país para alimentar seu rebanho de suínos, o maior do mundo. Em vez disso, prefere impulsionar sua própria indústria de esmagamento comprando soja não processada. Mas a dificuldade para encontrar grãos em quantidade suficiente em meio à disputa comercial abriu uma oportunidade rara para o farelo argentino.

O que vem a seguir?

Atualmente, as unidades de esmagamento da Argentina não podem enviar farelo de soja para a China. Uma missão comercial a Pequim, em novembro, tem como objetivo finalizar as regulamentações que abririam caminho para os carregamentos, disse Gustavo Idígoras, presidente da Ciara-Cec, a câmara de esmagamento e exportação de cereais do país. Entre as integrantes do grupo estão Cargill, Bunge e outras gigantes do trading agrícola, como Louis Dreyfus e Cofco.

Ao mesmo tempo, uma mudança recente nos impostos de exportação da Argentina pode promover a venda de soja, deixando os processadores em apuros. Os poucos grãos não processados que a Argentina já exporta vão quase inteiramente para a China. Com a mudança, em breve será aplicado o mesmo imposto a esses grãos e ao farelo processado. Durante anos a Argentina aplicou 3 pontos percentuais a mais de imposto sobre os grãos para favorecer o esmagamento, que ajuda a economia porque agrega valor.

--Com a colaboração de Megan Durisin.

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