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Indianos devolvem quase todas as cédulas de rúpias proibidas

Anirban Nag

29/08/2018 15h26

(Bloomberg) -- Os esforços do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, para eliminar o dinheiro sujo por meio da proibição de cédulas de alto valor não produziram os resultados desejados.

Dos 15,4 trilhões de rúpias (US$ 218 bilhões) em dinheiro em circulação que foram invalidados em 8 de novembro de 2016, o governo estimava que cerca de 5 trilhões de rúpias não seriam devolvidos aos bancos porque estavam escondidos ilegalmente para evitar impostos.

No entanto, informações do relatório anual do banco central divulgadas nesta quarta-feira mostraram que foram devolvidos 15,3 trilhões de rúpias, ou 99,3 por cento das cédulas, o que sugere que quase não havia riquezas não contabilizadas em dinheiro.

Uma quantia de 107 bilhões de rúpias ainda não foi recebida pelo Banco Central da Índia (Reserve Bank of India, RBI) após a proibição do dinheiro, segundo o relatório.

"A desmonetização foi um fracasso total", disse Mohan Guruswamy, presidente do Centre for Policy Alternatives em Nova Déli e ex-assessor do Ministério das Finanças. "Poderíamos estar em uma trajetória de crescimento maior se a desmonetização não tivesse sido feita. Foi um erro colossal e haverá consequências políticas."

Peso sobre o crescimento

A decisão de Modi de proibir cédulas de alto valor, juntamente com a caótica introdução do imposto sobre bens e serviços no ano passado, pesou sobre a expansão econômica e dados preliminares mostram que o crescimento atingiu o menor patamar em quatro anos, de 6,6 por cento, no ano fiscal 2018. Desde então, o crescimento se recuperou e chegou a 7,7 por cento no trimestre encerrado em março de 2018.

Os dados mais recentes sobre o produto interno bruto devem ser divulgados na sexta-feira e os economistas projetam uma expansão de 7,6 por cento no período de três meses até junho em relação ao ano anterior.

A proibição do dinheiro havia levado o banco central a imprimir uma nova moeda, reduzindo seu lucro e diminuindo o pagamento de dividendos anual ao governo pela metade, para 306,6 bilhões de rúpias no período de um ano até junho. O RBI transferiu 500 bilhões de rúpias para o governo como dividendo no ano fiscal iniciado em 1º de julho de 2017.

Recuperação econômica

Em seu relatório anual, o RBI informou que estima um crescimento econômico de 7,4 por cento no ano fiscal que termina em março de 2019 e uma aceleração da inflação. O RBI parece confiante de que a recuperação econômica doméstica está bastante consolidada, com vários indicadores sugerindo que a atividade econômica continua forte. O banco elevou as taxas de juros duas vezes neste ano em uma tentativa de conter a inflação, que está acima do ponto médio de 4 por cento da faixa-meta.

"Daqui para a frente, o aumento do crescimento do crédito provavelmente será respaldado pelo progresso" que está sendo feito por meio do código de insolvência para ajudar a combater problemas nos balanços de empresas e bancos, pela recapitalização dos bancos do setor público e pela perspectiva positiva para a economia, informou o RBI.

No entanto, os riscos para a perspectiva de crescimento são formidáveis: como a Índia é a consumidora de petróleo de crescimento mais rápido do mundo, os preços mais elevados do petróleo ampliarão o déficit em conta-corrente e as tensões comerciais globais ameaçam as exportações e o investimento.

--Com a colaboração de Vrishti Beniwal e Shruti Srivastava.