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Schroders vê México como porto seguro entre emergentes

Justin Villamil

30/08/2018 12h14

(Bloomberg) -- No começo do ano, essa mesma estratégia teria sido considerada bizarra. Mas a esta altura, Jim Barrineau, da Schroders, aposta no México como porto seguro entre os mercados emergentes.

Os títulos mexicanos desabaram no primeiro semestre. Investidores temiam que a vitória de Andrés Manuel López Obrador (conhecido pela sigla AMLO) na eleição presidencial de 1º de julho levasse à adoção de uma agenda populista ao mesmo tempo em que os EUA jogavam duro nas negociações do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta). Com AMLO assumindo o cargo em dezembro e o anúncio de um novo pacto comercial, essas preocupações agora parecem exageradas.

Barrineau é corresponsável por dívidas de mercados emergentes, ajudando a administrar US$ 99 bilhões em renda fixa. Sua carteira tem alocação maior em títulos mexicanos denominados em moeda local e ele atualmente aposta em bancos, na TV Azteca e até na estatal Pemex. AMLO esfriou a retórica acalorada (como a promessa de reverter as reformas no setor energético) e o acordo comercial acertado nesta semana com os EUA é um avanço significativo, afirmou Barrineau em entrevista realizada em Nova York.

"As mudanças sob AMLO não serão tão significativas", ele acredita. "O crescimento pode até se acelerar se houver gasto fiscal adicional e o México, em relação ao resto dos mercados emergentes, parece particularmente estável."

Ele se livrou da exposição em pesos chilenos diante dos riscos cada vez maiores vindos da Ásia. No caso do Brasil, ele só se interessa por dívidas em dólares de empresas com exposição relevante ao mercado externo.

Abordagem seletiva

Barrineau não compra tudo o que vê pela frente no México, preferindo títulos corporativos aos soberanos. Na visão dele, a reação do mercado ao acordo comercial entre EUA e México na segunda-feira talvez tenha sido exagerada. Ainda existem dificuldades com a entrada do Canadá nas negociações e o acordo final precisará de aprovação do Congresso, ele ressaltou.

Quanto à aposta nos combalidos títulos da Pemex, Barrineau manteve a decisão apesar da nomeação de Octavio Romero Oropeza ao comando da estatal. Romero é aliado de longa data de AMLO e não tem nenhuma experiência no setor petrolífero. Porém, o rendimento nos papéis de 10 anos da Pemex chegou a subir 54 pontos-base após o anúncio, criando uma oportunidade de compra, segundo Barrineau.

Ele considera o setor bancário mexicano "sólido como pedra" e acha baratos os papéis de alto rendimento da TV Azteca.

Quanto ao Brasil, Barrineau entende que a eleição terá mais impacto do que no México porque o novo governo precisará tratar as contas públicas. Se o dólar continuar subindo, ele vê riscos em países com grande déficit em conta corrente. A África do Sul, em particular, seria ameaçada com crescimento estruturalmente baixo. Mas se o dólar permanecer sob controle, o cenário para mercados emergentes pode ser favorável.

"Se houver qualquer indicação de que o banco central dos EUA está perto do fim do ciclo de aumento de juros, acho que os mercados emergentes irão muitíssimo bem", ele acredita.