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Harry Potter pode ajudar Reino Unido a melhorar produtividade

Lucy Meakin

11/09/2018 12h53

(Bloomberg) -- O famoso mago britânico talvez tenha as palavras mágicas para revigorar a economia do Reino Unido, de acordo com o mais novo criador de políticas do Banco da Inglaterra, Jonathan Haskel.

O problema é a produtividade fraca, e ele diz que parte da solução pode ser encontrada em coisas intangíveis, como os feitiços de Harry Potter. O Comitê de Política Monetária se reunirá em Londres nesta semana antes do anúncio programado para quinta-feira, e a McKinsey & Co. alerta que 90 por cento do crescimento futuro do Reino Unido precisará vir de melhorias nessa área se a economia quiser acompanhar o ritmo das taxas históricas.

Essa é uma grande incógnita para um país onde o crescimento da produção por hora ainda não voltou aos níveis de antes da crise e continua atrás de muitos países europeus. Os números preliminares do segundo trimestre, divulgados no mês passado, mostram um aumento de 0,4 por cento, o que significa que a produtividade subiu apenas 1,5 por cento no ano.

Para Haskel, professor da Imperial College Business School, na capital, a perspectiva talvez não seja tão sombria quanto os dados sugerem. Ele baseia sua visão mais otimista no crescimento de investimentos difíceis de mensurar em ativos "intangíveis", como software e design, que, segundo ele, têm o potencial de gerar ganhos significativos de produtividade a longo prazo.

"Pense em Harry Potter", disse ele aos legisladores em julho. "São os direitos autorais do livro, é o software que entra no filme, é a marca, é o design do cenário que proporciona todos aqueles detalhes góticos que aparecem no filme e na peça - todo um conjunto de ativos intangíveis. A economia está se movendo muito mais nessa direção."

A dificuldade em tentar mensurar investimentos desse tipo - alguns dos quais, acredita ele, são totalmente excluídos pela metodologia do Instituto Nacional de Estatísticas - significa que eles provavelmente estão subestimados.

Para piorar, existe o risco de que essa produtividade não expressada possa significar que até mesmo uma leve recuperação de salários aumente a inflação, porque as empresas elevam os preços para proteger suas margens. Os dados de terça-feira mostraram que o crescimento salarial do Reino Unido acelerou durante o terceiro trimestre em meio à menor taxa de desemprego em mais de quatro décadas.

O ponto de vista de Haskel não explicita as inclinações de sua política monetária, de acordo com Vicky Pryce, que foi uma das chefes do Serviço Econômico do Governo do Reino Unido, um órgão profissional para economistas do setor público, de 2007 a 2010. Níveis mais altos de investimento poderiam sugerir que a força subjacente da economia é maior do que a mensurada e, portanto, sustentar a necessidade de juros mais altos, mas também poderiam levar os formuladores de políticas à conclusão oposta.

"Se o investimento realmente for maior e o potencial de investimento for maior, então é possível crescer mais rapidamente e por mais tempo sem necessariamente afetar a inflação", disse Pryce, em entrevista por telefone.

Independentemente de sua visão, parece improvável que Haskel se desvie do consenso quando votar nesta semana. Depois do aumento dos custos dos empréstimos para o patamar mais alto desde 2009, em agosto, espera-se que as autoridades optem por manter as taxas em 0,75 por cento. O governador do Banco da Inglaterra, Mark Carney, disse que qualquer aumento futuro será limitado e gradual.

--Com a colaboração de Andrew Atkinson, Zoe Schneeweiss e Jill Ward.

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