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Pequenos criadores de porcos complicam combate a vírus na China

Bloomberg News

11/09/2018 14h43

(Bloomberg) -- O esforço para conter o vírus suíno mortal que está se espalhando pelas províncias do leste da China pode ser prejudicado pela proliferação de milhões de pequenas fazendas que abrigam muitos dos porcos do país.

Na província de Heilongjiang, onde houve pelo menos dois surtos de peste suína africana, o criador Wang Lianchen disse não estar preocupado porque não foi informado pelas autoridades locais de que deveria ficar. Ele soube do número crescente de surtos desde o início de agosto pela televisão e não tomou nenhuma medida adicional para proteger os 200 porcos que cria no quintal.

"Quando tiver que acontecer, vai acontecer, e não se pode fazer nada a respeito", disse Wang, 63, em entrevista, no pátio da frente de sua casa, na vila de Qingfeng. Os negociantes vêm três vezes por ano recolher seus porcos, e ele não sabe onde os animais são vendidos depois.

Wang é um dos milhões de pequenos criadores que produzem mais de 70 por cento dos porcos da China, o que ressalta a árdua tarefa enfrentada pelo maior consumidor de carne suína do mundo. Dezenas de milhares de animais já foram abatidos, proibiu-se o transporte de suínos vivos e os mercados foram fechados para tentar controlar a propagação da doença, que pode ser 100 por cento fatal. Os suínos são a carne básica na China, cujo rebanho de mais de 400 milhões de cabeças responde por mais da metade dos porcos do planeta.

"É muito difícil erradicar a doença no país, que é dominado por criações de suínos de pequeno e médio porte", disse Pan Chenjun, analista do Rabobank International em Hong Kong. Será difícil para a China controlar a doença a curto prazo, ou no próximo ano, já que essas fazendas não contam com as medidas adequadas de biossegurança para se proteger da doença, disse ela.

A chegada do vírus à China, no mês passado, é uma grande ameaça para o setor e para a subsistência de pequenos criadores e outros, afirmou a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) na semana passada, após reunião de emergência em Bangkok. A agência alertou que a doença quase certamente aparecerá em outros países asiáticos. Não há vacina para a doença, que não afeta os seres humanos.

O surto mais recente de peste suína africana na China ocorreu na província de Anhui. Outros 16, pelo menos, foram reportados nas regiões nordeste e leste do país, abrangendo cerca de 2.500 quilômetros e seis províncias, desde 1º de agosto.

Transporte

Os suínos vivos são transportados por longas distâncias na China porque os consumidores preferem carne fresca, disse Ma Chuang, vice-secretário-geral da Associação Chinesa de Zootecnia e Medicina Veterinária. A prática de alimentar porcos com lavagem ou restos de alimentos também representa um desafio ao controle da disseminação da doença, disse ele.

Na China, 75 por cento dos porcos são alimentados com ração animal de produção industrializada, e o restante é alimentado com todo tipo de coisa, desde grama até sobras de restaurantes, disse Ma. Em abril, descobriu-se que vários restaurantes de Pequim estavam fornecendo ilegalmente sobras não tratadas a 14 fazendas de criação de suínos no distrito de Tongzhou. A China proíbe a alimentação de suínos com lavagem que não tenha recebido tratamento térmico.

--Com a colaboração de Adrian Leung.

To contact Bloomberg News staff for this story: Shuping Niu em Beijing, nshuping@bloomberg.net

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