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Homens falam mais que mulheres em conferências de resultados

Felice Maranz e Rebecca Greenfield

13/09/2018 12h49

(Bloomberg) -- Esqueça os conselhos administrativos. As vozes das mulheres quase não estão presentes nem em teleconferências.

As mais importantes discussões conduzidas publicamente pelas corporações americanas - as conferências de resultados trimestrais realizadas por quase todas as empresas de capital aberto - são dominadas por homens, que falam com maior frequência e por mais tempo que as mulheres, segundo uma pesquisa realizada a pedido da Bloomberg pela Prattle, uma empresa que fornece estudos automatizados através da análise de comunicações corporativas e do banco central.

Em um estudo de mais de 155.000 teleconferências corporativas realizadas nos últimos 19 anos, a Prattle concluiu que os homens falaram 92 por cento do tempo. Isso ocorre, em parte, porque os executivos e analistas do sexo masculino superam em número as mulheres nesses cargos. Também ocorre porque os homens simplesmente falam mais.

"Executivos do sexo masculino dão respostas notavelmente mais prolixas às perguntas dos analistas do que as executivas", disse o CEO da Prattle, Evan Schnidman. "Pode-se supor que os executivos são mais propensos a falar simplesmente para ouvir a si mesmo."

As conclusões não surpreenderam Sharon Zackfia, analista da William Blair. Ela está no setor há 18 anos e disse que pouca coisa mudou. "Eu acompanho algumas empresas automobilísticas, onde sou a única voz feminina na conferência", disse Zackfia, em entrevista por telefone. Quando ela fala, "talvez a pergunta seja formulada em 30 segundos, mas a resposta de um CEO do sexo masculino dura cinco minutos".

Isso deveria desencadear questões em todo o setor financeiro, disse Collyn Gilbert, analista de bancos e diretora administrativa da Keefe Bruyette & Woods. "Sempre que aparece uma distorção significativa em uma informação estatística, é preciso parar para pensar."

Pesquisas acadêmicas sugerem que ela está certa. Quando as mulheres participam mais das discussões em grupo, a conversa toma outros rumos que as discussões que são dominadas pelos homens, de acordo com Chris Karpowitz, professor associado de ciência política na Universidade Brigham Young.

Outra pesquisa, realizada por Alok Kumar, concluiu que analistas do sexo feminino emitem previsões mais ousadas e mais precisas, e que os participantes do mercado de ações estão cientes das diferenças de habilidades entre homens e mulheres.

Homens tagarelas

A diferença na representação de gênero em certos setores é "desconcertante", disse Schnidman. "As mulheres representam apenas 7,5 por cento do pessoal em conferências de resultados do setor de energia, mas compõem quase 19 por cento do pessoal em conferências de resultados do setor de varejo."

Mesmo onde as mulheres estão mais presentes, essa presença pode não basta para colher os benefícios de um grupo diverso. Estudos concluíram que os homens falam mais do que as mulheres em todos os tipos de grupos, inclusive em reuniões do conselho escolar e do Supremo Tribunal. Se as mulheres representam 20 por cento de um grupo, elas representam 10 por cento da conversação, segundo Karpowitz, da Brigham Young.

Isso significa que as mulheres só superam o déficit de tempo de conversação se formarem uma grande maioria em um grupo.

E, nas teleconferências, "não há muitas analistas do sexo feminino", disse a analista sênior de bancos dos EUA da Bloomberg Intelligence, Alison Williams. Segundo dados da Bloomberg, dos 32 analistas que cobrem o Bank of America, três são mulheres; dos 45 que cobrem a Apple, também três são mulheres. E dos 24 analistas que cobrem a Exxon Mobil? Nenhum é mulher.

Repórteres da matéria original: Felice Maranz em N York, fmaranz@bloomberg.net;Rebecca Greenfield em Nova York, rgreenfield@bloomberg.net

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