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Ricos dos Hamptons apostam em investimento por conta própria

Simone Foxman

14/09/2018 15h46

(Bloomberg) -- O champanhe corria solto em uma reunião nos Hamptons, no mês passado, para os membros do Tiger 21, um clube de investimento para pessoas extremamente ricas. De repente, a conversa chegou ao assunto do momento: fazer negócios por conta própria.

Alguns dos participantes fizeram investimentos diretos no setor imobiliário. Um deles colocou dinheiro em um parque de diversões (teve grandes prejuízos, mas pelo menos seu filho se divertiu, brincou ele).

Para essas e muitas outras pessoas ricas, fundos de hedge, private equity e outros investimentos exclusivos e tradicionais já não são suficientes. Elas querem investir dinheiro diretamente em alguma empresa.

O investimento direto é uma estratégia bastante usada por famílias bilionárias, como Dell e Pritzker, que multiplicaram seus patrimônios comprando empresas privadas. Mas agora a estratégia passou a ser adotada por aqueles que detêm apenas centenas de milhões de dólares, que talvez não tenham recursos nem conhecimento financeiro para montar family offices próprios em um momento em que as avaliações no mercado público não param de crescer.

O impulso tem raiz também na inveja: os investidores ricos têm visto pessoas que adquiriram participações precoces em startups bem-sucedidas, como Uber e Airbnb, acumularem grandes fortunas, pelo menos no papel. Além disso, há certo prestígio em ser dono de parte de uma empresa e ter mais poder, em teoria, do que se teria com um investimento passivo.

"Algumas pessoas ricas não gostam de participar de grupos de investimentos nos quais não têm voz", disse Felix Herlihy, diretor administrativo da Cascadia Capital, especializada nos tipos de transações de médio porte preferidos dos family offices. "A lógica é que adotar uma abordagem direta leva a um desempenho superior com o passar do tempo. De certa forma, significa dizer 'sou um pouco mais inteligente'."

Em pesquisa realizada no ano passado com 157 famílias com mais de US$ 250 milhões, 66 por cento afirmaram que queriam fazer investimentos mais diretos. E esses negócios podem até se tornar mais comuns entre os menos ricos: o presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês), Jay Clayton, disse no mês passado que estuda reformular as regras que estão em vigor para proteger os pequenos investidores a fim de permitir que invistam em empresas privadas.

O problema é que o investimento direto tem significados diferentes para pessoas diferentes -- desde comprar ações antes de uma oferta pública inicial até adquirir uma participação majoritária em uma empresa. E os riscos para os investidores podem variar bastante.

Além disso, a diferença nos retornos entre investimentos ilíquidos e ações e títulos negociados com mais frequência nunca esteve tão pequena, disse Michael Tiedemann, CEO da Tiedemann Wealth Management.

"Há muito dinheiro por aí à espera de ser empregado", disse. "Se o negócio chegou à sua mesa, e não se trata de um setor no qual você opera, há boas chances de que o negócio tenha sido analisado e rejeitado por aqueles que conhecem o cenário competitivo muito mais do que você."

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