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Opep vê necessidade de manter acordo para oferta de petróleo

Anthony DiPaola

17/09/2018 13h05

(Bloomberg) -- A Opep precisa continuar trabalhando com outros produtores de petróleo para administrar a oferta global em um momento em que a demanda por petróleo enfrenta "ventos contrários", disse o chefe da organização.

O histórico acordo de oferta entre Arábia Saudita, Rússia e outros produtores, fechado no fim de 2016, precisa se tornar permanente, disse Mohammad Barkindo, secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, em entrevista, em Dubai. A demanda por petróleo está "robusta", mas o uso do óleo bruto "começa a enfrentar alguns ventos contrários", disse, sem detalhar.

"Não há alternativa viável sobre a mesa além de institucionalizar e tornar permanente essa cooperação entre nós e nossos bons parceiros de fora da Opep", disse Barkindo. Os baixos preços do petróleo golpearam o setor e o privaram de investimentos, deixando a cooperação contínua entre os produtores como única forma de manter a estabilidade dos mercados, disse.

O petróleo registra média de cerca de US$ 72 por barril neste ano e a Agência Internacional de Energia alertou na semana passada que os preços podem ficar acima de US$ 80 por barril se os produtores não compensarem a oferta perdida do Irã e da Venezuela, que integram a Opep. Embora as disputas comerciais e os problemas financeiros em alguns mercados emergentes ameacem minar a demanda por petróleo, a AIE, que monitora o setor, afirmou que os riscos relacionados à oferta são maiores que essas preocupações.

A Arábia Saudita e a Rússia levaram a Opep e os produtores aliados a fechar um acordo para limitar a produção a partir de janeiro de 2017 com o objetivo de conter o excedente de petróleo. As partes mudaram de estratégia em junho e desde então se comprometem a garantir uma oferta adequada para atender a demanda. Um comitê de membros da Opep e produtores aliados tem reunião programada para a semana que vem na Argélia para analisar o cumprimento das metas de produção, embora não esteja claro se o comitê tentará impor cotas de produção a cada país.

Khalid Al-Falih, ministro de Energia da Arábia Saudita, e seu colega russo, Alexander Novak, se reuniram no sábado e "enfatizaram novamente o compromisso de assegurar uma oferta adequada de petróleo, especialmente devido às incertezas do mercado no horizonte", informou o Ministério de Energia saudita no domingo, em comunicado. Os ministros analisaram "o estado da economia global, a demanda por petróleo e os possíveis riscos à oferta", segundo o comunicado.

A venda de petróleo do Irã está em queda em um momento em que os EUA se preparam para restringir a capacidade de Teerã de comercializar petróleo e de participar dos mercados financeiros internacionais. A Venezuela, colega de Opep, está bombeando a metade do petróleo produzido em 2016 e enfrenta novas quedas devido à turbulência econômica.

A Rússia está pronta para ampliar a produção a níveis recorde se o mercado exigir, disse Novak, ministro de Energia do país, na semana passada. A Arábia Saudita, que nunca bombeou mais de 11 milhões de barris por dia, afirma que pode produzir pelo menos 12 milhões. O reino é o maior produtor da Opep e detém a maior parte da capacidade ociosa do grupo.

--Com a colaboração de Giovanni Prati e Elena Mazneva.