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Commodities retomam protagonismo nos mercados emergentes

Srinivasan Sivabalan e Aline Oyamada

20/09/2018 12h25

(Bloomberg) -- Os mercados emergentes têm vivido um ano tumultuado até o momento com a escalada da guerra comercial, a alta dos juros americanos e as contagiosas crises da Argentina e da Turquia. Mas um velho conhecido pode estar prestes a oferecer um certo alívio.

As commodities, historicamente o motor mais importante dos ativos dos países em desenvolvimento, teve papel central tanto na queda de 2015 quanto no rali de 2016. Desde janeiro deste ano, no entanto, elas ficaram em segundo plano em função das políticas comerciais de Donald Trump sobre o comércio que têm diminuído o apetite dos países que dependem das exportações para crescer.

Agora isso está mudando. As matérias-primas estão recuperando a o protagonismo em direcionar os ativos de mercados emergentes. Isso é importante porque elas podem ajudar a impulsionar os preços se ou quando houver uma recuperação.

Os preços do petróleo, em particular, têm um impacto profundo nos mercados emergentes. Países exportadores como Rússia, Colômbia e México se beneficiam quando o petróleo encarece, e nações importadoras como China, Índia e Coreia do Sul recebem impulso quando os preços caem.

Essa relação explica por que as empresas de energia apresentam os melhores desempenhos do índice de ações MSCI Emerging Markets neste trimestre. Isso fica evidente no gráfico de rotação relativa do indicador de referência, que compara o desempenho e o impulso dos subgrupos do setor com o mercado de forma mais ampla e mostra o índice energético mais à frente em ambas as medidas.

Mas há um senão: o que funciona para as ações não necessariamente vale para as moedas. A forte desvalorização das moedas emergentes este ano tem sido provocada principalmente pelo nervosismo dos investidores em relação ao ritmo dos aumentos do juro pelo Federal Reserve e pelo fim das medidas de estímulo. Apesar de a decisão de Trump de abandonar o acordo nuclear com o Irã ter ajudado na alta do petróleo, os mesmos fatores geopolíticos geraram aversão ao risco nos mercados de câmbio.

Como resultado, a correlação entre o petróleo e as moedas das economias emergentes não asiáticas -- que são as maiores exportadoras -- atingiu o menor patamar em quatro anos. Apesar do aumento de 18 por cento do preço do petróleo neste ano, 22 das 24 moedas de mercados emergentes monitoradas pela Bloomberg apresentam perdas, incluindo a da Rússia e a da Colômbia.

Mas o petróleo pode ser um caso isolado no que diz respeito às commodities que influenciam moedas. De fato, os metais são mais relevantes. Veja o cobre, que oscila cada vez mais em linha com as moedas dos países em desenvolvimento. Os traders podem considerar o rali de 2,4 por cento neste mês, o melhor de 2018, um sinal de que os dois ativos estão mais propensos a subir em consonância. Os otimistas em relação ao cobre já veem uma recuperação dos preços gerada pelo grande número de posições vendidas.

Os indicadores da MSCI para ações e moedas, além do Bloomberg Commodity Index e dos futuros do petróleo bruto, subiram pelo terceiro dia seguido nesta quinta-feira.

Repórteres da matéria original: Srinivasan Sivabalan em Londres, ssivabalan@bloomberg.net;Aline Oyamada em São Paulo, aoyamada3@bloomberg.net

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