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Drones oferecem respostas no maior produtor de cacau do mundo

Leanne de Bassompierre

20/09/2018 15h16

(Bloomberg) -- Em um escritório apertado nos fundos da casa dos pais, na Costa do Marfim, Joseph-Olivier Biley sonha com soluções para os desafios agrícolas da África.

A resposta dele: drones. O jovem de 25 anos e sua equipe de graduados de todo o continente passaram um ano desenvolvendo e testando tecnologias que, segundo eles, podem ajudar a aumentar a produtividade, melhorar as projeções de safras e resolver antigas discussões relacionadas à posse de terras no país, que é o maior produtor de cacau do mundo. Os drones são usados para criar mapas digitais de plantações, que podem ser usados por agricultores e autoridades para verificar propriedades ou monitorar doenças nas plantações.

Na Costa do Marfim, muitos dos desafios enfrentados pelos agricultores se resumem a uma questão de alocação e posse de terra. O país, que também exporta produtos como borracha, café e castanha de caju, tem dificuldades para implementar uma lei existente há duas décadas sobre terras rurais que formalizou as regras de propriedade e tirou o controle exclusivo das terras agrícolas dos anciões e líderes de aldeias.

As disputas sobre posse são comuns e afetam a produtividade, e os limites entre as plantações podem mudar facilmente após uma estação particularmente chuvosa, o que agrava o problema. Outra questão é a agricultura em áreas protegidas. A Costa do Marfim perdeu 80 por cento de suas florestas desde a década de 1970, principalmente devido a plantações ilegais de cacau, mas também por causa do comércio descontrolado de madeira, do cultivo de borracha e da mineração em pequena escala. O país está trabalhando para interromper e reverter o declínio, mas essas atividades precisarão ser transferidas para outros lugares.

Países produtores de cacau, como a Costa do Marfim, poderiam melhorar significativamente a produtividade dos agricultores com o acesso a dados melhores sobre as terras, disse o diretor-executivo da Organização Internacional do Cacau, Jean-Marc Anga.

"Acreditamos que os drones podem realmente ajudar na resolução da questão da terra", disse ele, nos bastidores de uma conferência em Abidjan, a capital comercial da Costa do Marfim. "Discutiremos o assunto em nossa próxima reunião."

Desde o lançamento oficial, em julho, a empresa de Biley, a WeFly Agri, começou a trabalhar com uma cooperativa de cacau com 3.000 membros para mapear mais de 9.000 hectares de terras nos arredores de Abidjan. O trabalho pode gerar um modelo para outros agricultores no setor e talvez até ajudar a ampliar o acesso a empréstimos caso os agricultores possam oferecer evidências mapeadas de suas plantações como garantia, disse.

"Nossa visão é tornar a agricultura mais precisa, mais atraente e mais rentável", disse Biley, em entrevista, em Abidjan.

Depois que as plantações são mapeadas, os drones da WeFly Agri podem ajudar os proprietários a monitorá-las, observar doenças e interagir com os funcionários que estão no local.

Os drones e aplicativos estão apenas começando a decolar na Costa do Marfim. O país também impõe requisitos estritos de licenciamento para uso comercial e agrícola de veículos aéreos não tripulados.

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