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Letônia tenta proteger sua eleição de ataques da Rússia

Aaron Eglitis

21/09/2018 12h40

(Bloomberg) -- Um escritório desinteressante no Instituto de Matemática e Ciências da Computação de Riga, da época comunista, talvez seja a última linha de defesa da Letônia contra ameaças à eleição geral do mês que vem.

Lá, o CERT, o grupo de 29 membros do país dedicado à segurança cibernética se prepara para a maior prova de sua história: repelir tentativas da Rússia de interferir no processo de votação. Após estudar intromissões nos EUA e em outros membros da União Europeia, como a Alemanha, a equipe está ensinando servidores públicos sobre e-mails suspeitos e links para sites que poderiam ser tentativas de phishing, enquanto recebe "feeds de ameaças" da Otan e de países aliados.

Em outros lugares, o governo está trabalhando com o Facebook e o Twitter para conter a difusão de notícias falsas. Os votos na eleição de 6 de outubro serão escaneados eletronicamente e poderão ser contados à mão, caso surjam receios em algum distrito, o que acrescenta uma camada extra de segurança.

"A consciência de que algo poderia acontecer claramente é muito maior" do que na eleição passada, disse Varis Teivans, vice-diretor do CERT, em entrevista concedida em um refúgio seguro com alguns móveis básicos, mas sem nenhum computador. "Está claro que nossa grande vizinha, a Rússia, lançou operações cibernéticas ofensivas contra os estados bálticos."

A Letônia tem motivos específicos para estar cautelosa: um quarto de sua população é de etnia russa, proporção maior do que na Estônia ou na Lituânia, por isso o país é um alvo atraente para que Putin tente semear a discórdia na UE. Além disso, um partido político que atende à minoria russa pode ter sua maior chance de chegar ao poder em mais de 10 anos.

A região do Báltico, no extremo oriental da UE, sente a pressão militar desde que o presidente Vladimir Putin roubou a Crimeia da Ucrânia em 2014. Contudo, ameaças mais tecnológicas surgiram lá muito antes que hackers russos fossem acusados de ajudar Donald Trump a chegar à Casa Branca.

A Estônia sofreu o que muitos acreditam ser o primeiro ciberataque russo de grande escala em 2007, em meio a uma disputa pela relocalização de um monumento da época soviética em sua capital, Tallinn. Houve um enorme ataque de negação de serviço, que paralisou os sites do governo, dos bancos e da imprensa.

A Lituânia também está alerta. O país proibiu que empresas e instituições estatais usem software da fabricante russa de antivírus Kaspersky Labs em prol da segurança nacional e até alertou os cidadãos contra a instalação de um aplicativo de táxis da Yandex, que tem sede em Moscou.

Maior preparação

A Rússia, cujos trolls na internet também tiveram como alvo o referendo sobre o Brexit, no Reino Unido, nega veementemente qualquer interferência no exterior. O Kremlin preferiu não comentar.

Será que os possíveis agressores podem ter sucesso? Talvez sim, mas a Letônia agora está muito mais bem preparada para combatê-los, de acordo com Teivans.

"Se compararmos isto com os últimos 10 anos, houve uma melhora constante e exponencial", disse ele.

--Com a colaboração de Ilya Arkhipov e Ott Ummelas.